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A VIOLÊNCIA ESTÁ AUMENTANDO NO PAÍS

Benedicto Ismael C. Dutra
07/04/2014



Apesar de alguma melhora na distribuição da renda, a violência, já costumeira em grandes centros como o Rio de Janeiro e São Paulo, está aumentando também em várias cidades do Brasil, dentre as quais Maceió, Fortaleza, João Pessoa, Natal, Goiânia, e tantas outras. Mas isso não acontece só no Brasil. Diariamente vemos o aumento da violência em várias regiões, em revoluções armadas, em protestos violentos, em lutas pelo domínio das riquezas e do poder. É a vida descartável, sem valor.

Qual seria a causa do aumento da violência? Mau exemplo da impunidade que vem de cima? Disseminação de armas e drogas? Falta de educação e preparo para a vida, e o quanto regredimos nisso? Seria apenas uma questão de investimento em segurança? Falta consideração e respeito pelo próximo. Falta discernimento. A impulsividade aumentou. Revolta, ódio e medo são fatores que estão levando as pessoas a agir de forma violenta. Sem esperança e sem respeito, jovens se agrupam em gangues e em torcidas organizadas para extravasar sua revolta e maldade. Falta um plano sério para reduzir a violência. O que a mídia poderia fazer como contribuição para o relacionamento humano com mais consideração mútua entre as pessoas?

Motivos para as pessoas ficarem revoltadas não faltam: deficiência no atendimento médico, falta de leitos nos hospitais, dificuldades no trânsito, falta de vagas nas creches e boas escolas, aumento de preços de alimentos e outros artigos, desemprego e redução de salários. No entanto, as pessoas precisam cultivar o autocontrole. Ficar explodindo a toda hora não vai resolver nada. Temos de reconhecer que tem havido grande descuido na forma de viver e na hora de escolher as elites governantes que prometem tudo, mas uma vez eleitos querem permanecer no poder sem cumprir seus deveres para com a população. Precisamos agir com mais clareza e cobrar as soluções exigidas.

Estamos perdendo a criatividade, o bom senso, o pensar com clareza. Os empresários, e os responsáveis pela educação teriam de criar cursos de orientação para as pessoas aprenderem a pensar com clareza. A quem interessa isso? A todos nós e à atividade econômica em geral como meio de aumentar a produtividade. Estamos diante da falta da generosidade que deveria ser naturalmente integrante do humanismo. Falta um plano efetivo, não imposto pelo Estado, mas desenvolvido no consenso pelos líderes e população visando a consideração e o bem geral.

Um empresário, dono de um restaurante frequentemente inspeciona a qualidade dos alimentos servidos aos clientes. Por outro lado existem pessoas que abusam de sua condição, como por exemplo, as que não se preocupam se, no puxadinho onde se sentam os clientes que pagam mais de R$50,00 por quilo de refeição, a temperatura alcance a marca dos 40 graus. Quem consegue se alimentar direito com um calor desses? E os garçons que têm de permanecer o tempo todo nesse local?

Situações como essa vão provocando uma sensação estressante. Alguém poderia dizer que isso é próprio do mercado, não funciona e é só roubalheira. Mas na verdade, o mercado entendido como o sistema que orienta preços, consumo e produção, não tem nada a ver com isso. Teoricamente o mercado não é bom nem mau; os agentes são os seres humanos e depende do íntimo deles, se gananciosos oportunistas, ou responsáveis, como no caso mencionado dos restaurantes. E isso se repete em todos os setores. A cobiça por dinheiro e poder leva os humanos a cometer desatinos, a agir com frieza visando obter o máximo de resultado com o mínimo de custo, seja na economia de mercado ou no socialismo, na indústria ou no comércio. Falta seriedade e lisura, e na luta pela sobrevivência as pessoas se destroem mutuamente, criando um mundo áspero e sem consideração. Aqueles que desejam progresso equilibrado e harmonioso para o Brasil se quedam assustados. Em quem podemos confiar neste mundo materialista no qual o trunfo maior é o dinheiro?

A livre iniciativa e o mercado são conquistas valiosas, pois possibilitam escolhas pessoais; o que falta é uma ética humana para que o seu funcionamento se faça sem que, para satisfazer a cobiça, sejam infligidos sofrimentos a outros. Para a existência dessa ética teríamos de conhecer o real significado da vida e a nossa posição dentro da Criação, reconhecendo as leis que a regem. Então, conscientemente seria posta em prática a lei maior do Amor, haveria paz para a alegria dos seres humanos de boa vontade.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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