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INTUIÇÃO E INDOLÊNCIA

Benedicto Ismael C. Dutra
07/05/2014



É lamentável constatar que o mundo sempre esteve cheio daqueles que querem manter atado o espírito dos seres humanos, explorando a sua indolência e falta de movimentação para a busca de esclarecimento e maturidade. Essa situação leva à dormência da intuição individual como meio reter as pessoas no marasmo, impedido-as de exercitar análises por si mesmas.

Agora o apelo mais forte para manter esse torpor geral está na sexualidade, induzindo a pensamentos e comportamento antinaturais. O nosso querer e nossos pensamentos movimentam a lei da atração de igual espécie. Se quisermos atrair o bem, temos de pensar no bem. Temos de buscar a ampliação do saber sobre a vida em vez de ficarmos dando voltas em sofismas místicos e sem lógica, mas que exercem forte atração sobre as mentes confusas.

Descuidadamente, sem fazer uso da reflexão serena, temos bloqueado a intuição, dando ampla liberdade à indolência e à vontade egoística que, juntamente com a astúcia do raciocínio, gera formas de pensamentos rígidas, que podem agredir as pessoas ou criar desarmonia no ambiente.

No Brasil, com a ampliação da indolência, temos o grave problema secular da falta de empenho para a consolidação de um país livre, com uma população bem preparada para a vida, que gosta de se divertir, mas que age com seriedade em tudo.

Na falta de seriedade e autoestima, as pessoas são incentivadas a deixar rolar para ver como fica. Não há metas nem planos perseverantes; tudo declina continuadamente. Isso ocorre nas áreas de educação, saúde, saneamento, e também se reflete na falta de eficiência e de seriedade no uso do dinheiro público, e inclusive no futebol. Há uma completa desorganização, visível nos jogadores pouco instruídos, violência nos estádios, sendo o mais chocante o caso do vaso sanitário jogado sobre torcedores no Estádio do Arruda, em Recife. Na Alemanha, os jogos reúnem mais de 40 mil torcedores com ampla presença feminina. No Brasil, é média é inferior a 20 mil. Os torcedores estão se afastando dos estádios, com receio da violência, e de partidas mal jogadas.

Temos permitido estagnação e declínio de forma abusiva neste país repleto de potencialidades. Em poucas décadas vemos um Brasil desfigurado, sem metas, sem estadistas. As pessoas que vivem aqui deveriam ser incentivadas a pensar no bem geral, no querer um país melhor, com otimismo e seriedade, para transformá-lo num acolhedor lar de seres humanos que buscam o progresso real. Nossa democracia capenga requer aperfeiçoamentos que promovam credibilidade, equidade e justiça. Todos nós queremos um país sério, generoso, severo. Se pensarmos dessa forma com intensidade será como uma lança atuando para que o sonho se torne realidade.

Os administradores públicos frequentemente estão propondo o aumento do teto das dívidas. Planejar como serão pagas é que é o problema. O endividamento descontrolado, interno ou externo, sempre se constituiu numa armadilha para a população, pois os governantes e os gestores públicos mudam e deixam as contas em situação calamitosa para o sucessor, que inapelavelmente, tem de buscar novas dívidas mantendo a administração pública refém dos credores. De governo em governo as coisas pioram.  A própria Petrobrás corre o mesmo risco diante da inépcia e outros fatores inconfessáveis.

Que horas o mundo vive? Faltam poucos segundos para a meia-noite, para o alvorecer de um novo dia, porém, não antes de uma assustadora escuridão, provocada pelos que não se esforçaram em agir como seres humanos de fato. Daí decorre todo o caos que nos rodeia. Os humanos desenvolveram uma vontade própria egoística, julgando-se superiores, dispensados de respeitar as leis naturais da Criação, forjando na oficina do cérebro leis teóricas dissociadas da realidade espiritual. Os eventos apocalípticos se avolumam na natureza e no inóspito ambiente econômico-financeiro-social, última fronteira da megalomania dos homens. Resta um curto tempo para a busca da Luz da Verdade.

A vontade egoística é teimosa e arrogante por natureza, não admitindo que possa estar agindo de forma errada, muito menos ser advertida. Com a intuição ativa e voltada para o bem, as formas produzidas seriam mais leves e agradáveis, por conterem algo que é captado de regiões inacessíveis ao raciocínio, o que permitiria que aos seres humanos, em vez de se agredirem mutuamente, se alegrassem, beneficiando-se de formas enobrecedoras, mais condizentes com a própria espécie. Mais do que nunca necessitamos da paz e da serenidade. Abdruschin, autor da Mensagem do Graal, recomenda que mantenhamos puro o foco dos pensamentos para alcançarmos a paz e a felicidade.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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