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ACONTECIMENTOS APOCALÍPTICOS

Benedicto Ismael C. Dutra
11/05/2014



Em nosso mundo atribulado, poucos sorrisos nos são dados a ver. As pessoas percebem que algo está diferente e que não há mais aquela atmosfera leve como no século passado. Espalha-se mau humor e descontentamento. Deveríamos estar irradiando espontânea alegria de viver, incentivando a atuação alegre, sem receios nem ressentimentos. A vida seria bem melhor com sentimentos e pensamentos mais nobres.

Acontecimentos abaladores estão ocorrendo pelo mundo. Um avião desapareceu no ar com 239 passageiros na rota da Malásia para a China. Uma embarcação com muitos estudantes naufragou na Coreia do Sul. Incidentes localizados vão chamando a atenção das pessoas. Porém, no século 21, tivemos dois fatos significativos de impacto global: o grande avanço da transferência da produção industrial para a China e para a região asiática, e a crise financeira de 2008 que teve como estopim o estouro da bolha imobiliária norte-americana. Mais incisivo, são as alterações climáticas.

Tais ocorrências estão provocando mudanças de tal monta que ainda não tomamos a exata consciência do que está se formando. Por isso poderíamos chamá-las de apocalípticas, pois, independentemente das causas aparentes geradas por interesses particulares, na essência, eles trazem os efeitos de uma grande semeadura, cujos frutos em seu desabrochar estão provocando um grande reboliço.

A humanidade tem desenvolvido uma educação cada vez mais voltada para os ganhos materiais, deixando ao abandono questões vitais para a sobrevivência da nossa espécie. A destruição da natureza revela a estúpida ignorância. O resultado é o mundo estar se tornando um lugar inóspito, tanto do ponto de vista das condições ambientais como do relacionamento humano. Estamos na era da desordem. A estruturação se restringe em atender interesses particulares com muitos desperdícios. Sem espiritualidade, as obras humanas se desfazem por si.

Por ora, a globalização trouxe vantagens, principalmente para aqueles que coordenam os fluxos financeiros, a produção e distribuição de bens, sem ter criado mecanismos que promovam a melhora geral das condições de vida, o que gera desconforto nas massas que percebem a precariedade do funcionamento dos sistemas políticos, que é muito lento na busca de solução de questões vitais, mas ágil nas questões ligadas a interesses imediatistas.

A democracia representativa precisa evoluir para dar equidade no tratamento a todos os cidadãos, inclusive aos de baixa renda. Com o passar do tempo houve a percepção de que o sistema era controlado pelas oligarquias com elevada concentração de renda, frustrando a grande maioria que buscou manifestar sua insatisfação em atos de protesto. Há um desalento e descrédito a respeito dos poderes constituídos, pois poucos foram os representantes que encararam seriamente a missão que lhes foi confiada pelo voto dos cidadãos, de buscar a progressiva melhora das condições de vida.

As revoltas e atos de vandalismo poderão se constituir em novo evento apocalíptico pela violência empregada e destruição que promovem, criando um clima de desordem e confusão que deprime as pessoas de bem. Na cidade de Osasco, em São Paulo, vândalos incendiaram 34 ônibus num único atentado. Atos dessa natureza poderão se multiplicar se os causadores não forem responsabilizados.
Falta empenho do sistema político para resolver os problemas da população; a burocracia e os interesses travam tudo. As empresas dançam com a mesma música, pensando apenas no lucro, descuidam da qualidade e do atendimento, e nem sempre se preocupam em dar preparo aos seus colaboradores. As exigências do controle vão criando dificuldades nas coisas mais elementares, que antes eram agilmente resolvidas com um sopro de bom senso.

Então, diante de tantos problemas que se avolumam, necessitamos de mudanças no funcionamento do sistema político para que os representantes eleitos pelo povo atuem de forma eficiente em prol do benefício geral, sob pena de adentrarmos em períodos obscuros de sistemas ditatoriais com todos os abusos que lhes são inerentes, pois o ser humano facilmente se deixa envolver pelo brilho do poder, dando vazão ao seu ego e à sua mania de grandeza, em benefício próprio e dos grupos aos quais se liga.

As atuais condições que regem o mercado são perversas porque permitem manipulações e competição desleal entre países com a precarizacão da mão de obra. O sistema democrático e o livre mercado têm seus valores que possibilitam a liberdade de expressão, de locomoção, de iniciativa, mas precisa de ajustes enobrecedores e da seriedade dos políticos, para não ficarmos reféns da alta renda e seus interesses, em prejuízo do todo. Isso tudo está provocando inconformismos e revoltas que estão se alastrando pelo mundo. Se quisermos mais estabilidade, precisamos de aperfeiçoamentos que promovam credibilidade, equidade e justiça.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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