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ZERO A ZERO

Benedicto Ismael C. Dutra
10/07/2014




Nos dias em que a seleção brasileira entra em campo para os jogos da Copa, as pessoas que moram em cidades que sediam as competições vivem um sufoco geral. Fortaleza foi um exemplo disso no dia em que as equipes do Brasil e do México se enfrentaram no Castelão. Os paulistanos voltaram para casa desordenadamente e ao mesmo tempo para assistir ao jogo o que causou quilômetros de congestionamento, muita ansiedade e impaciência. Tudo isso só para assistir a uma partida da Copa. Seria um acontecimento tão importante assim? Em seu abandono, as pessoas buscam um lenitivo onde possam descarregar suas tensões e encontrar um pouco de esperança.

No jogo em questão o placar foi zero a zero. Não era isso que as pessoas esperavam para se empolgarem e melhorar o humor. O futebol deveria ser um lazer, uma distração merecida, uma oportunidade de encontro amistoso entre os povos, não um objetivo essencial, pois o mais importante deveria ser a busca da compreensão do sentido da vida. Depois de uma tarde tensa, seguida por uma noite escura, surge um novo dia, uma nova Luz rompendo as sombras, chamando para a vida real. Quem se habilita?

Ao dar prioridade aos aspectos materiais, a humanidade explorou o planeta até chegar aos limites críticos, ameaçando a continuidade da vida. Quanto mais espiritualizado o homem, mais ele se torna um verdadeiro ser humano que coopera com o beneficiamento da Criação. No entanto, deixado sem controle, o cérebro humano tende a se afastar do espiritual, sufocando-o para alcançar a supremacia.

Metaforicamente, poderemos perceber essa luta no filme ficcional Transcendência – a Revolução. Johnny Depp interpreta Will, um cientista que se dispõe a praticar a transcendência, isto é a transferir o conteúdo do cérebro para um supercomputador, resultando num supercérebro destituído da parte espiritual e do coração. Ele colocou toda a potencialidade do cérebro em ação. Will queria concertar o mundo, mas aniquilava o arbítrio de suas vítimas, transformando-as em escravos inconscientes que, sem perceber, obedeciam à influência externa.

De geração em geração, temos incentivado o fortalecimento da capacidade do raciocínio e o retrocesso do espiritual, sem nada saber sobre as funções de cerebelo. O cérebro e seu produto, o raciocínio, foram dados ao ser humano como a grande ferramenta para agir na matéria, mas se colocado como condutor, busca continuamente aumentar o próprio poder para dominar e impor a sua vontade. Ao cerebelo cabia a função de estabelecer conexão com o espiritual, porém acabou sendo atrofiado, sem alcançar o desenvolvimento em paralelo com o cérebro anterior; ou seja, definhou por falta de utilização e movimentação. Órgãos que não funcionam por longo tempo estão sujeitos à atrofia. Na espécie humana, isso vem acontecendo desde longa data, embora o próprio raciocínio impeça que se perceba isso. Quanto mais o cérebro se fortalece, bloqueando o desenvolvimento espiritual, mais materialista se torna o homem, e mais insensíveis vão se tornando as suas obras.

Em julho de 2014 ficou evidente a imagem do Brasil. O que se passa no campo de futebol, se passa no campo da política. Cada um para si. Falta uma ação integrada para o bem do Brasil. Falta o desenvolvimento dos atributos humanos: generosidade, lealdade, consideração, seriedade, bom senso, clareza no pensar. Escondido até o ano de 1500, o Brasil permaneceu 500 anos como tributário aos poderosos de dentro e de fora. Veio o PT e continuamos na mesma. Falta o empenho no preparo da população para levar a vida com toda a seriedade que ela requer. Futebol é lazer, não prioridade da vida. É melhor ficar lendo um bom livro, ouvindo boa música

Com arrogância e cobiça, os seres humanos foram se apossando do planeta e das riquezas materiais para si, como se fossem seus donos, afastando-se do sentido da vida. Foram necessários 300 milhões de anos para a formação de grandes depósitos de combustíveis fósseis. E lá vamos nós queimando mais e mais petróleo; ainda não conseguimos utilizar uma fonte de energia mais limpa. A natureza tem mantido o nível de oxigênio na atmosfera em torno de 21% como o ponto de equilíbrio para a manutenção da vida sem riscos, mas a constituição da atmosfera não é mais a mesma. Ignorando as leis da natureza, querendo se sobrepor a elas, o ser humano vai destruindo tudo com sua interferência arbitrária. O que estamos consumindo em um ano, a natureza precisa de ano e meio para se autorregenerar. No entanto, a miséria e os sofrimentos se ampliam.

Na natureza tudo foi sabiamente disposto para que houvesse paz entre os homens de boa vontade. O Criador quer alegria, amor e felicidade para os que trilham o caminho da Luz. Com as escolhas que fizeram, os seres humanos atulharam esses caminhos com todo tipo de obstáculos.

Abdruschin, autor da Mensagem do Graal, esclarece que a chegada do ser humano à Terra, com o seu livre arbítrio, teria de impulsionar ainda mais o aprimoramento e o progresso geral. No entanto, os humanos desvirtuaram o livre arbítrio que faz parte do espírito. Assim, ao invés de favorecer tudo quanto já existia, impediu o desenvolvimento em direção ao alto, desejado na Criação, dirigindo todas as suas faculdades pelo soerguimento do raciocínio, unilateralmente só para o que é material.

Há muitas questões ainda não respondidas que deveriam ser objeto de nossas pesquisas. Necessitamos de uma nova visão de mundo que nos mostre a origem e o significado da vida, ensejando novas forças para um alegre atuar.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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