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BRICS, UM NOVO PARADIGMA?

Benedicto Ismael C. Dutra
02/08/2014



A 500 anos atrás grande parte do planeta Terra era praticamente desabitado. A população e o poder se concentravam na Europa. Após as grandes descobertas das terras existentes no oeste alguns países se foram projetando. Portugal, Espanha, França, Holanda, mas o poder mais forte foi parar nas mãos da Inglaterra, por sua grande frota naval, seu avanço industrial e mais tarde por se tornar a grande praça financeira do mundo.

Durante longo período a Inglaterra foi a rainha dos mares e das finanças. Após as duas guerras mundiais, com a destruição da Europa e da economia mundial, os Estados Unidos assumiram o comando da reconstrução, introduzindo o dólar como o denominador comum das operações financeiras, mas o esperado progresso não aconteceu para muitas regiões.

No Brasil temos hoje uma situação complicada. Tivemos 500 anos de falta de direcionamento e planos de longo prazo. Com a liberação dos escravos Dão Pedro II perdeu o Império, apesar de sua dedicação ao país. No século seguinte de República alternada com governo forte não houve crescimento expressivo. Nos anos 1980 e 1990 ficamos travados diante da crise da dívida externa e explosão inflacionária.

Estamos com grande defasagem tecnológica. As grandes empresas que vieram pouca tecnologia trouxeram, optando por aproveitar mercado com sistemas de produção obsoletos. A população não está suficientemente preparada para a vida e permanece pouco incluída. Não impedimos o avanço do crack, droga mortal que veio para aniquilar as novas gerações. Com a permanência de taxa de juros elevadas e baixo investimento, sempre enfrentamos a preocupante tendência de crescimento da dívida e desindustrialização. Chega de descaso com o país e sua população.

Aos poucos a Alemanha foi recuperando o terreno perdido nas guerras e desponta como potência econômica, zelando pela qualidade de vida de sua população, conseguindo até forma a equipe campeã mundial de futebol. No Brasil Deixamos de formar os craques, jogadores de futebol especiais por seu discernimento e destreza.  Deixamos de formar boas equipes, aptas para enfrentar o novo futebol ágil, que vai pra frente com passes de bola certeiros, usamos uma tática ofensiva sem estarmos preparados para isso, descuidando da retaguarda. Erro?

Num momento muito especial, a Copa revelou um Brasil diferente do divulgado na imprensa. Muitos turistas e representantes de Estados vieram e gostaram do Brasil e do tratamento alegre e cordial de sua população. Agora se realiza a reunião dos Brics: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul. Esperemos que encontrem formas de impulsionar o progresso de forma humana e mais participativa.

O Japão também tinha tomado a dianteira na industrialização, mas ficou travado com a valorização do yen. Depois do desenvolvimento do Japão, a Ásia que permaneceu durante séculos dando prioridade ao setor agrícola, foi ingressando na era industrial. A China, com o câmbio favorável para exportação foi assumindo a liderança enquanto o Japão permanecia estagnado.

Atualmente a China com sua elevada população vai buscando espaços. Os chineses ingressaram no capitalismo de Estado ao perceberem o grande poder e influência do dinheiro e das finanças, formando elevada reserva em dólares. Estamos diante de complicado tabuleiro onde as peças vão se movimentando e alterando a estabilidade existente no jogo do poder e que poderá alterar a sua atual divisão. No entanto, para o Brasil e outros emergentes, se persistir o antigo modo desequilibrado de participação, tipo colonialista, com uns mandando e o resto se submetendo, pouca coisa vai mudar no manjar, só as moscas.

Agora o mundo se recente da crise financeira iniciada nos Estados Unidos em 2008 impondo austeridade e mais aspereza ao mundo. Seria bom se o grupo dos BRICS estabelecesse um novo paradigma de desenvolvimento econômico mais inclusivo. Afinal eles representam 28% da economia mundial. Urge de sair da era colonialista e fazer acordos para equilibrar importação com produção e exportação, gerando crescimento, empregos, progresso real. Chega de déficits.

China, Índia, América do Sul, África. Séculos de baixa renda e mercado travado. Pouco foi feito para mudar a situação de penúria da população que permaneceu estagnada sem buscar o aprendizado para a vida. Será que o grupo dos BRICS conseguirá fazer a diferença?  Brics, uma ideia destinada a dar um novo equilíbrio na busca do desenvolvimento econômico mais equitativo e humano. Esperemos que assim seja!   



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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