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A CRISE E A NOVA ECONOMIA

Benedicto Ismael C. Dutra
21/04/2009



Agora que o nome de Darwin tem sido citado com frequencia, talvez muitos economistas gostariam de perguntar ao célebre cientista qual a fórmula para se sair da crise econômica atual, ou pelo menos atenuá-la. Provavelmente Darwin diria: “Isso lá é coisa que se pergunte logo a mim, o pai da teoria da origem das espécies – o homem que, num vislumbre de coragem, teve a ousadia de se contrapor a  teoria que, na época, era tida como verdade absoluta disseminada desde quando Gutenberg desenvolveu os caracteres móveis que possibilitaram a impressão da Bíblia?”.
 
De fato não há respostas fáceis para várias questões. E nem se pode imaginar que o ser humano tenha sido trazido pronto para o planeta. Somente como fruto de um longo processo de evolução é que poderia ter surgido o animal mais aperfeiçoado que deu origem ao Hommo Sapiens. Da mesma forma, não se pode esperar que essa crise que levou décadas para se manifestar, possa ser superada facilmente sem que sejam introduzidas profundas alterações nos sistemas de produção de bens e moedas.
 
Durante muito tempo exportamos produtos primários. Depois passamos a exportar juros, o que fazemos até hoje. Mas o mais grave tem sido a exportação de empregos que vem ocorrendo com muita força desde a introdução de políticas que fortaleceram artificialmente o Real. O que fazer agora? Muitos economistas acreditam que no Brasil é comum o dinheiro trocar de mãos, passando de um grupo para outro. Ultimamente os setores mais lucrativos têm sido o financeiro e o comércio de importados. Talvez, o remédio para a crise mude essa situação. Com a necessária redução dos juros, pode ser que o dólar fique mais caro para os brasileiros, o que iria encarecer importações e viagens ao exterior, mas  ao mesmo tempo traria mais oportunidades para substituição de produtos importados, pelos fabricados no Brasil, aumentando, com isso, as oportunidades de emprego. Os importadores vão perder espaço, enquanto aumentam as oportunidades para a indústria e a geração de vagas.
 
No entanto ainda temos como grandes obstáculos a redução do crédito e o baixo preparo da população. Darwin observou que a natureza é regida por uma lei invisível que impulsiona na direção do aperfeiçoamento, e tudo se subordina a essa lei. Mas com os humanos é diferente, pois a grande diferença é a existência do cérebro, do raciocínio e da liberdade de decidir, o que não ocorre com os irracionais que agem de forma instintiva.
 
Essa diferença impõe deveres especiais aos humanos. Com isso, sua tarefa seria contribuir para o beneficiamento de tudo e também desfrutar, mas de forma a arcar com as consequências de suas escolhas. Com a economia o processo não difere muito disso. Hoje enfrentamos as consequências das escolhas passadas, que se refletem na própria estrutura do corpo humano que, em muitos casos, perdeu os traços mais nobres apresentando-se como uma espécie que se deixou embrutecer porque não soube desenvolver todo o seu potencial. O raciocínio deve ser dominado pelo eu interior, pois do contrário a sua força cresce e se transforma numa fera incontrolável.
 
Muitas coisas precisam ser modificadas na forma de viver, pois do contrário não poderão subsistir. O Brasil, considerado como “o gigante adormecido”, surge como o país do presente. O futuro é agora e se a sua população despertar para a vida, poderemos nos adequar a essa forte turbulência que traz mudanças profundas, e a partir disso construir uma economia que possibilite distribuição da renda de forma mais equitativa, impulsionando o verdadeiro progresso, saindo do padrão de que só os mais fortes e poderosos têm o direito de se locupletarem.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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