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UNDE MALUM – POR QUE O MAL EXISTE?

Benedicto Ismael C. Dutra
19/09/2014



Por que o mal está aumentando? Com o afastamento da naturalidade da vida, se tornou complicada a compreensão da existência do mal e das razões que levam ao aumento da sua prática. Diariamente, dramáticos acontecimentos revelam a escalada da insensibilidade e do embrutecimento da espécie humana, sem que se conheça a exata causa.

A sociedade humana tem sido descuidada quanto à responsabilidade no preparo das novas gerações e com o futuro, promovendo o esmorecimento, pois como tudo era fácil, a ordem era desfrutar o presente sem que houvesse preocupações com a administração das condições de vida. O que se visava era manter os seres humanos sob controle, vivendo rotineiramente sem um olhar mais profundo sobre o sentido da vida.

Tudo passou a girar em torno do dinheiro e o poder que ele possibilita. No corre-corre, o lado humano vai perdendo espaço. Prevalece a obsessão pelo poder. Em meio aos cenários de pânico e acontecimentos dramáticos de sofrimentos, a compaixão e a solidariedade vão aos poucos ficando frágeis, pois se avolumam as condições de emergência como pobreza, doenças, catástrofes. Semeia-se o medo da insegurança e da incerteza cuja origem se desconhece, e com o medo sobrevém o ódio. Não há uma explicação abrangente sobre o significado da vida, seus benefícios e suas dificuldades. Aumenta o medo.

A ignorância, a sensação de incapacidade diante do avolumar dos problemas, e a humilhação, constituem as fontes do medo. Incerteza e medo pairam continuamente sobre as cabeças. Perde-se a esperança de um futuro melhor; surge a indiferença, a insensibilidade. Surge o ser humano não confiável. Abre-se um abismo que suga os desesperançados para o extremismo militante da confrontação destrutiva.

Surge o medo sobre o que o futuro poderá trazer. Medo e ódio vão caminhando lado a lado, retroalimentando-se. O ódio pode desencadear grandes tragédias. A revolta no presídio de Cascavel foi aterrorizante. As pessoas não acreditavam no que estavam vendo pela televisão em suas próprias casas - algo insensível e brutal. Algumas não aguentaram e mudaram de canal. Muitas imagens tenebrosas, poucos comentários e análises lúcidas. O que se passa com o ser humano no Brasil e no mundo? Perdeu a alma? Sufocou o coração?

O cérebro frontal, desconectado do coração, isto é, da intuição, se deixa moldar pelas ocorrências que criam insegurança, medo e ódio, reais ou ficcionais através de filmes. Perdendo a esperança de um futuro melhor, o homem perde a sensibilidade já que, com o predomínio da vontade intelectiva, deixa de ouvir a voz da consciência, passando os fins a justificar os meios.

Basta reunir os acontecimentos trágicos de um único mês para percebermos que a humanidade está enferma porque se tornou capaz da prática de atos abomináveis e, progressivamente, insensibilizada quanto à sua dramaticidade e o próprio embrutecimento. E tudo fica como um vício. Quanto mais a mídia expõe os acontecimentos grotescos, mais o público fica ansioso por observá-los. Acontecimentos grotescos são editados e recontados, gerando revolta e entorpecimento, seria para gerar mais medo?

Por que o mal existe? Qual a sua origem? Por que ele aumenta tanto? O ser humano tem a sua origem no espiritual. Para atender ao anseio íntimo de conscientização, tinha de ser afastado da origem e se encarnar num corpo terreno, no qual o conjunto dos cérebros deveria trabalhar harmoniosamente para manter a conexão, sendo o cérebro frontal incumbido da atuação no tempo, espaço e matéria, mas acabou ficando restrito e aprisionado a eles, pelo voluntário fortalecimento do raciocínio, incapacitando-se para reconhecer a espiritualidade e o Amor, que só poderia ter obtido com a ajuda do cérebro posterior, o cerebelo, que foi progressivamente fragilizado.

Segundo os escritos de Abdruschin, com a desarmonia surgida nos cérebros, o homem de intelecto assumiu o domínio. Mas o intelecto atua friamente e, movido por inveja, cobiça, logro, opressão, segue sem consideração em busca de suas metas restritas. Falta a oportunidade para uma introspecção e esforço para o retorno à situação de trabalho harmônico entre os cérebros. A harmonia é o resultado natural da verdade, em conjunto com a beleza. Impossível haver Harmonia sem Amor, e Amor sem Harmonia.




Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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