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A VIDA CONTROVERSA DE UM DOS MAIORES ÍDOLOS DA SOUL MUSIC

Benedicto Ismael C. Dutra
12/11/2014



Sebastião Rodrigues Maia, popularmente conhecido como Tim Maia, foi sem dúvida um artista completo. Cantor, compositor, produtor, maestro, multi-instrumentista e empresário brasileiro, ele foi responsável pela introdução do estilo soul na música popular brasileira e reconhecido mundialmente como um dos maiores ícones do cenário musical. Suas canções eram marcadas pela rouquidão de sua voz, sempre grave e carregada, conquistando grande vendagem e consagrando muitos sucessos. Nasceu e cresceu na cidade do Rio de Janeiro, onde, já na sua infância, teve contato com pessoas que viriam a ser grandes intérpretes e compositores, como Jorge Ben Jor e Erasmo Carlos. Em 1957, fundou o grupo The Sputniks, do qual fazia parte Roberto Carlos.

Em 1959, Tim emigrou para os Estados Unidos, onde teve seu primeiro contato com o soul, vindo a ser preso e deportado por roubo e porte de drogas. Em 1970, gravou seu primeiro disco, intitulado Tim Maia, que, rapidamente, tornou-se um sucesso país afora com músicas como "Azul da Cor do Mar" e "Primavera". Faleceu em 15 de março de 1998.

Uma biografia dramática e depressiva foi filmada por Mauro Lima, apresentando belas canções de Tim Maia, que se deixava dominar por seu temperamento forte. Ele foi uma prova viva de como a irradiação do sangue forma o temperamento que é enviado ao cérebro. Mas o ser humano tem de se sobrepor com a sua força de vontade para não cometer desatinos conhecidos como “sangue quente, cara esquentado” nem se tornar um tirano em seu ambiente.

Começando na infância difícil de Tim, cujos pais eram pessoas humildes e de boa vontade, ele, porém, se considerava estigmatizado por ser mulato. No filme, sua história é apresentada de forma rasteira e depreciativa. No entanto, mostra as consequências de uma vida sem seriedade, marcada pelo descontrole emocional e pela devassidão. Cigarro, bebida, maconha e outras drogas, como meio de preencher vidas vazias sem sentido. Os anos 1960 mostraram a juventude brasileira dividida: uma parte era fã de Che Guevara, queria a revolução e o socialismo; enquanto a outra, induzida pelos meios de comunicação, buscava os prazeres da vida devassa, entregando-se aos pendores sem comprometimentos mais nobres. Veio o golpe de 1964 e o Brasil, que despontava com um futuro promissor, hibernou em berço esplêndido.

Apesar das belas canções, o filme não é nada inspirador. Poderia ser mais interessante se tivesse conseguido traçar um paralelo com a história do Brasil, cuja população não recebeu preparo para um voo mais ousado, nem impulso para decolar e tirar o país da condição de colônia subdesenvolvida para se tornar uma nação forte e independente, com oportunidades para todos.




Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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