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A GRANDE CRISE

Benedicto Ismael C. Dutra
08/12/2014



Há uma crise geral no mundo. Diferentemente das ocorridas em outras épocas, os países vão empobrecendo em seu conjunto, perdendo a beleza e a sustentabilidade. A esperança desaparece no coração da população, e a discórdia separa mais e mais pessoas, inclusive as ligadas por laços de sangue. O problema principal não está no capitalismo ou no mercado. É a crise geral dos seres humanos que se afastaram do significado da vida e construíram um mundo áspero, sem amor, sem consideração, não titubeando em causar danos a outros, que também estão em peregrinação, para satisfazer a própria cobiça, deixando de mobilizar todo o seu potencial para construir beneficamente ao amparo das leis naturais da Criação.

Após a Segunda Guerra Mundial, a humanidade sofrida teve em suas mãos a oportunidade de iniciar uma reconstrução geral das cidades e do seu modo de vida, pois o sangue derramado de milhões de seres humanos clamava por uma nova forma de viver em paz e harmonia visando o progresso integral. Com a entrada da televisão nos lares, logo tudo se converteu numa jornada de consumismo, lazer e trabalho para pagar o crediário. O ciclo da vida compreendia o nascimento, escolarização até os 20 anos, trabalho continuado por 35 a 40 anos, e em seguida a pessoa se aposentava e passava os anos finais sem muitas coisas para fazer, o que acabava acelerando o falecimento. Esse tem sido o ciclo da vida de muitos seres humanos. Em nenhum momento foi inserido o primordial, ou seja, a busca do significado da vida, afastando-o da rigidez desse ciclo de voo rasteiro. Por sua vez, as religiões têm se preocupado mais em engrossar suas fileiras do que buscar o significado da vida.

Com o passar dos anos, sem que houvesse um alvo mais elevado, a população foi aumentando e muitas coisas se foram encaminhando para o imediatismo, funcionando de forma artificial. Fatalmente se chegaria à imposição da austeridade econômica para resgatar os abusos cometidos, e possivelmente obter uma sobrevida para o Planeta tão sugado em seus recursos naturais. A população acabou perdendo a confiança na elite endinheirada. No entanto, tem de ser encontrada uma forma de equilíbrio sem travar o desenvolvimento e a produção dos bens essenciais.

No século 20, pouco se fez para a consolidação do progresso. Torna-se necessário encontrar a forma certa de agirmos para não continuarmos na rota de declínio. Essa deveria ser a grande motivação de todos, mas o dinheiro ainda é dominante no estabelecimento das motivações e dos objetivos. Com seriedade a austeridade surge de forma natural. Faltam estadistas, que administrem a coisa pública com seriedade não permitindo toda sorte de desequilíbrios nas contas, no endividamento, no comércio exterior. Sem equilíbrio nas contas externas o país sofre uma sangria, a economia fica estagnada, os empregos vão embora, o país perde a independência, o mercado financeiro se aproveita.

Desde épocas longínquas o homem vem perdendo a compostura, escravizando os prisioneiros de guerra. Depois foram os índios das Américas. Então, vieram os africanos, que deveriam ter desenvolvido sua cultura em sua região, mas foram transplantados para as Américas de forma indescritível. Lamentavelmente após a abolição não foram desenvolvidos meios para a inclusão. Uma questão muito difícil, que requer soluções humanas.

No Brasil, após a abolição foi proclamada a república no ano de 1889. D. Pedro II foi banido. A república segue aos trancos e ainda não mostrou com clareza a que veio, mantendo o Brasil na dormência. Depois do golpe de 1964 vieram o choque da dívida e o da estabilização com dólar congelado. Pressionado pela dívida e falta de visão de seus líderes, o Brasil acabou perdendo o bonde no novo ciclo de integração global e desenvolvimento tecnológico, permanecendo como fornecedor de minérios e matérias primas.

A partir do século 21, a ascensão do Partido dos Trabalhadores deu uma guinada na política e provocou duplo choque buscando melhorar a inclusão social até então extremamente descuidada, embora de forma atabalhoada, pois inclusão não se faz apenas com distribuição de renda. Urge dar preparo para a vida para as famílias e seus descendentes. O outro choque foi na corrupção com aumento geral dos percentuais.

Em um cenário complicado de limitação de recursos e população em expansão, nos defrontamos com tantas coisas mal resolvidas como problemas de saúde, educação, moradias e empregos. A pressão é forte. Muitas pessoas deixam a coisa ir rolando para frente para ver como vão ficar, mas invariavelmente o resultado é mais problemas.

Quem sabe agora com a nova equipe mais conservadora e o modo de ser da Presidente Dilma, mais sensível, possamos com muito bom senso, reencontrar o caminho do progresso humano com ordem, disciplina e paz. Vamos torcer para que isso aconteça.




Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
Comentários:


B. Dutra comentou em 09/12/2016 - 09:12:23

Lamentavelmente estamos outra vez no limite critico. País gastando acima do que arrecada, pagando juros anormais, no limite critico da dívida sem tendencia para ser reduzida, pois nada sobra. Atualmente com a forte turbulência econômica e política tudo é preocupante. Não sabemos o que realmente está se passando. Por certo há muitas lutas pelo poder nos bastidores. O Brasil precisa de um mínimo de paz para sair do limite crítico e do apagão mental para se tornar uma nação de verdade, e sair da mão dos aproveitadores que só causam ruína onde metem as mãos.

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