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QUEREMOS UM PAÍS DECENTE

Benedicto Ismael C. Dutra
22/01/2015



O Estado tem de garantir a propriedade privada, mas o ser humano não é um bem. Cair na escravidão foi um lamentável retrocesso da civilização. A arquitetura financeira faz com que todas as atividades sejam permeadas pelo dinheiro, gerando artificialismo e crises. Já se torna perceptível a falta da base real da economia como meio de produzir e distribuir bens, e de administrar os recursos disponíveis com sustentabilidade.

Após o término da Segunda Guerra Mundial, o capitalismo vinha num crescendo na melhora nas condições gerais de vida, tendo até sobrepujado a nefasta ilusão do socialismo com a consequente supressão da liberdade. Decaiu devido à atuação dos predadores da especulação financeira. A imposição de obter resultados máximos leva a incoerências como a de conciliar a teoria do livre mercado com a deslocação da produção para regiões onde salários, benefícios e restrições ambientais são decididos unilateralmente por governo forte. O capitalismo está perdendo algo de sua essência.

Infelizmente, os predadores estão em toda parte buscando brechas para ganhar sem fazer esforço. Na previdência, nos financiamentos públicos, nas grandes jogadas, tudo feito sem moral nem seriedade. No descuidado Brasil, precisamos do equilíbrio em tudo e em todas as contas internas, externas e balança comercial. Os déficits são ameaçadores. Se reduzirmos alíquotas de importação, sem fazer acordos de duas mãos no comércio exterior, aumentamos o déficit. Como financiar? O que acontece com a indústria e os empregos?

Os pesquisadores da desigualdade social concluíram que o sistema aprendeu a produzir, mas descuidou da distribuição mais equitativa. Na verdade os seres humanos são desiguais em seu desenvolvimento, mas muitas vezes a ganância impede a distribuição da riqueza em conformidade com o esforço individual, colocando-se uns acima dos outros para reter uma parcela que não lhes pertenceria.

Karl Marx, fundador da doutrina comunista moderna, revoltou-se contra o capitalismo e a religião, mas acabou criando a religião do descontentamento e insatisfação, buscando atribuir a culpa de todos os males e sofrimentos que afligem o ser humano ao capitalismo, que nada mais é do que um sistema criado pelo egoístico homem de raciocínio, assim como o socialismo também o é, pois o que prevalece é a ânsia dos homens pelo poder.

O surgimento da miséria no planeta está vinculado à sintonização humana voltada exclusivamente para a vida material. O economista Thomas Piketty propõe, como meio para remediar a desigualdade, a fórmula de enfiar a mão no bolso dos mais ricos para distribuir aos mais pobres através dos gestores do Estado, aumentando o seu poder. Como disse Lord Acton, no séc.19: “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente, de modo que os grandes homens são quase sempre homens maus.” Nem Marx, nem Piketty resolveriam. A solução está na naturalidade, no mútuo respeito e consideração entre os humanos, no equilíbrio e responsabilidade em tudo o que empreenderem.

No entanto, no Brasil estamos atravessando um momento muito grave com a disseminação da sensação de que a nação está acéfala, alienada, sem rumo. A república conta 125 anos que lamentavelmente não foram aproveitados para construir uma base sólida para o país progredir com segurança. Agora estamos como folha levada pelos ventos. Os anseios do presidente Fernando Henrique Cardoso “são para que não enfrentemos uma oposição entre esquerda retrógrada e direita golpista".

Faltaram estadistas patriotas que impedissem que o país caísse no atraso, tornando o futuro incerto, a menos que a nação com todo seu povo - jovens e adultos, homens e mulheres, e todos os líderes -, se empenhem com toda a seriedade, visando construir um país decente, digno da espécie humana.

Para Lord Acton, o processo histórico desenvolve-se orientado pela liberdade humana ou livre-arbítrio, no sentido de uma liberdade cada vez maior. A defesa desta última é um imperativo moral: se qualquer poder, seja ele religioso, político ou econômico, se arroga o direito de comandar os atos dos homens, ele os priva de sua responsabilidade. E, segundo Abdruschin o ser humano é responsável e com a sua livre resolução não pode se deixar dominar pela preguiça de pensar, mas é seu dever e responsabilidade utilizar a sua faculdade de examinar e elucidar para entender os porquês da vida - um presente do Criador para alcançarmos o saber, a paz e a felicidade.




Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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