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ACIMA DAS NUVENS

Benedicto Ismael C. Dutra
29/01/2015



Em Acima das Nuvens, filme de Olivier Assays, Maria Enders, uma famosa artista está num trem com Valentine, sua assistente cujo smartphone não para de tocar, impedindo que ela relaxe e aproveite a viagem. Elas são interpretadas respectivamente pelas atrizes Juliete Binoche e Kristen Stewart, que estão indo para Sils Maria, nos Alpes, para ensaiar.

Na trama, tempos atrás, Maria, numa peça teatral, interpretou Sigrid, uma garota atraente que seduz sua chefe chamada Helena, abandonando-a pouco tempo depois, o que fez Helena perder o rumo na vida. No presente, após decorridos vinte anos, mais madura, Maria é convidada para participar novamente dessa peça, mas desta feita personificando Helena, a seduzida, ao lado de Chloe Moretz no papel de Sigrid, como a nova jovem sedutora.

De uma forma dissimulada, o diretor Olivier Assayas entra indiretamente na questão do relacionamento entre mulheres, pois Maria e Valentine comentam o relacionamento de Helena e Sigrid, ambas personagens da peça teatral. Os diálogos são sem profundidade, mostrando uma fixação no tema e certa morbidez que se opõe à harmonia da vida. No entanto, naquele cenário austero dos Alpes, Assayas explora essa situação ambígua com habilidade.

A mídia tem posto esse tema em evidência com frequência, afastando-se da questão da importância da mulher na Criação, pois em sua força interior ela tem o futuro da espécie humana em suas mãos. É grande a responsabilidade da mulher, mas em compensação ela foi ricamente dotada para isso, enquanto o homem, mais fraco em seu querer, não consegue deixar de seguir o rumo por elas traçado.

Assays dirige bem, mas a história é fraca. Na tela há certa mistura de cinema, teatro, literatura e vida pessoal. A ênfase é o caos reinante nas relações humanas e na vacuidade da vida dos personagens. Valentine pressiona Maria que mostra relutância em aceitar o novo papel e reage puerilmente, de forma um tanto agressiva, alegando incapacidade para aquele desafio, o que desagrada a outra. Algumas vezes fica no ar certo mistério nas vidas das duas mulheres, como se fossem um espelho do que se passou no palco. Maria fica preocupada temendo que Valentine possa deixar de ser sua assistente.

Chloe, a nova Sigrid, é bonita, atraente, individualista e tem grande astúcia. Os individualistas não têm solidariedade, só pensam em si. Chloe quer a fama e nada a detém em seu propósito. Os modelos que o cinema apresenta exercem forte influência sobre muitas jovens indecisas quanto ao rumo que darão às suas vidas.

O filme chama a atenção para a vida inquieta das novas gerações sem propósitos específicos quanto ao futuro da humanidade. É curioso que, na trama, aparece outro personagem - um diretor que quer a participação de Maria em outro filme, dizendo ser seu objetivo fugir dos clichês e modismos, e levar para as telas mais vida real do que imaginária; mais essência do que aparência. Sem dúvida, um filme assim estruturado seria uma boa pedida.




Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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