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O DESEJO DE SER LIVRE

Benedicto Ismael C. Dutra
12/02/2015



“Eu fico com a pureza da resposta das crianças. É a vida, é bonita. E é bonita.” (Gonzaguinha)

O filme Livre (Wild) mostra a caminhada de Cheryl Strayed pela costa oeste americana. A natureza é o refúgio, a oportunidade do encontro consigo mesma pela reflexão, mas a personagem vivida pela atriz Reese Witherspoon inicia a caminhada com pouca naturalidade. Cheryl passou por uma infância perturbada devido ao pai alcoólatra. Ao se tornar adulta, trabalhou muitas horas como garçonete. Dispondo de pouco tempo, não estabeleceu objetivos para sua vida. Tendo desrespeitado o marido, enfrentou um divórcio doloroso. Viciada em drogas, perambulou de forma promíscua, chegando ao fundo do poço da sua existência vazia e sem sentido, desvalorizando-se como mulher e como ser humano.

Após a morte da mãe, ela queria mudar de vida, por isso abandonou o sobrenome do pai e do marido, adotando Strayed, que significa aquele que se desviou do caminho reto e ficou perdido, sem rumo. Como recomeço da vida, ela resolveu fazer uma caminhada pela costa oeste dos Estados Unidos, da fronteira do México até o Canadá, através da Pacif Crest Trail.

Em sua caminhada, vai percebendo algumas coisas fúteis da vida vazia. Muitos seres humanos, com o raciocínio mais desenvolvido, costumam ser pouco emotivos, e com isso não se abrem para a alegria espontânea de viver. Acabam se tornando pessoas travadas que não enxergam a beleza da vida. Podemos perceber isso na cena em que uma dupla canta música Country, e tanto os cantores como os ouvintes permanecem frios numa atitude padronizada de baixa vibração, como se apreciassem a canção apenas com o raciocínio, sem que os sons adentrassem na alma, como se fossem seres humanos vazios, sem conteúdo pessoal.

Nos cenários da natureza, algumas percepções vão aflorando na mente de Cheryl, pois nesse ambiente ela consegue ter tempo e serenidade para refletir, o que não havia anteriormente em sua vida. Ela se deixou envolver pela mesma armadilha que está prejudicando as novas gerações, que vão perdendo a ilusão de um futuro de prosperidade e tempo livre para autoaprimormento e lazer criativo. Os jovens vão se tornando apáticos, acomodados e indolentes, pois não enxergam motivação para viver e lutar, pressentindo que o futuro tende a perpetuar o presente ou se tornar cada vez mais difícil.

Em sua desesperança, Cheryl se entregou às drogas, cada vez de forma mais intensa, provando de tudo. Assim desvenda-se o mecanismo que pode levar muitos jovens à perdição e destruição da vida: com a falta de objetivos nobres, decaem nas drogas e na marginalidade, ou são dominados pelo ódio e revolta, entregando-se a atos tresloucados como os do terrorismo sem fronteiras.

Fomos dotados da faculdade de raciocinar para durante a nossa grande caminhada acompanhar os acontecimentos, ligando-os com lógica para compreender o significado da vida. Mas por preguiça isso nem sempre é feito. Sem a compreensão do significado da vida, as pessoas se tornam escravas do seu raciocínio.

Cada um de nós tem a liberdade de escolher livremente seus caminhos, e mesmo descendo ao vale das sombras teremos a oportunidade de mudar de rumo, reconhecer o quanto decaímos como seres humanos, e desejar ardentemente nos libertar do erro, pois a vida é uma peregrinação na busca da Luz da Verdade.

No entanto, a humanidade dorme, não quer ver a realidade e se deixa embalar pelas futilidades lançadas sobre a mente de forma continuada. Em meio à dor e aflição, muitos se deixam despertar pelo ódio e revolta. Embora Cheryl tenha demonstrado o poder da força de vontade ao manter firme o seu propósito de concluir a caminhada pela região inóspita, afastando-se da vida devassa, como tantas pessoas ela também não compreendeu amplamente o significado da vida, apesar dos muitos sofrimentos que atraiu para si mesma devido à sintonização errada. Em sua finalidade, a vida é bonita e devemos ter consciência de que somos eternos aprendizes.




Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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