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ERRO OU ACERTO

Augusto Amaral Dutra
15/02/2015



Vou dar a meu filho tudo aquilo que não tive!

Está aí uma fala que, infelizmente, é frequente em alguns lares. Na ânsia de querer mostrar aos filhos que os adora, que os ama, muitos pais enche-os não somente de carinhos e afetos, mas principalmente de mimos e bens materiais. Desta forma, confiam que estão evitando que seus filhos sofram as mesmas dificuldades que eles provavelmente passaram. Outros ainda, enganados sobre a importância de cada atitude, acreditam que somente os recursos materiais são suficientes para substituir o amor e o carinho que não oferecem, por julgarem não ter tempo.

Na ilusão de que estão provendo seus filhos nas suas necessidades, acabam deixando-os mal acostumados pelos possíveis excessos que oferecem. Não percebem, mas dão a eles também pouca disposição para conseguir o que se quer com recursos próprios já que não estão sendo treinados nem mesmo estimulados para tal. Têm tudo o que querem e na maioria das vezes, além do necessário.

Alguns teóricos da educação e desenvolvimento defendem que a melhor maneira de se desenvolver é através dos estímulos a que somos submetidos. Quando isso acontece, nosso cérebro reage buscando soluções, nossa mente viaja em busca de recursos, nosso ser se fortalece, pois o conjunto, corpo e mente, passa a trabalhar com mais intensidade.

Sem estes estímulos, tendo tudo o que se quer e muitas vezes, em proporção exagerada, estamos sem perceber, ensinando a nossos filhos que para ter, basta pedir. Alguns vão mais longe e aprendem que não é somente pedir, tem que chorar, fazer birra, jogar-se no chão etc. Aí sim conseguem.

Acontece que a vida não é exatamente isso. Como diz aquele ditado, “não é assim que a banda toca”. A vida é cheia de surpresas e contradições, e você deve estar preparado para elas, sendo assim é de sua responsabilidade permitir que seus filhos também tenham recursos para tal.

Nossos pais, devido algumas dificuldades que tinham no passado ou até mesmo pela cultura ambiental daquele momento exigiam mais de nós, começávamos a trabalhar mais cedo e éramos mais cobrados quanto aos resultados na escola, auxilio no lar, etc. Desta forma aprendíamos que não se pode ter tudo o que se quer e que não adiantava chorar, tinha que fazer jus, merecer.

Quem viveu nesta época e se dá o trabalho de observar, verá que estes ensinamentos começam a fazer sentido na medida em que a vida te obriga a fazer escolhas, ter forças para superar rejeições e solução para as dificuldades que se apresentam.

Hoje infelizmente nossas crianças não estão sendo preparadas para estes enfrentamentos. Os pais estão muito mais preocupados em se livrar de um problema do que assumir de fato a sua responsabilidade com a educação. É muito mais cômodo dizer sim, sem se dar conta de que está apenas postergando ou até mesmo alimentando um mau costume, e mais, lá adiante as consequências poderão ser muito piores.

Portanto não se esqueça das suas obrigações. Lógico que temos que prover nossos filhos de conforto e bem estar, porém temos que estar atentos aos excessos. Estar preocupados em oferecer aquilo que realmente necessitam, no momento certo, na hora certa. Temos que ensina-los a entender o valor de um não, pois somente assim estaremos preparando-os para terem um futuro sem traumas ou desequilíbrios e principalmente, provendo-os de coragem e recursos para as conquistas de cada um.




Psicólogo Clínico. Fone (11) 9 9933 5486 e-mail: augustodutra@terra.com.br facebook – Augusto Amaral Dutra
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