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OS GRANDES DESEQUILÍBRIOS

Benedicto Ismael C. Dutra
25/08/2009



Quando o novo século começou o mundo estava meio assustado. Imaginava-se o que poderia acontecer ao ultrapassarmos a barreira de dois mil anos. No entanto a economia foi sendo turbinada com a possibilidade de ganhos não muito difíceis. Com a elevação dos preços do petróleo e outras commodities, havia um excesso de liquidez. Através do crédito o consumo também recebeu a sua dose de incentivo, e toda a atividade econômica se foi acelerando sem que houvesse maiores reflexões sobre o que de fato estava se passando, mas os desequilíbrios foram se agravando.
 
Tivemos a crise imobiliária americana em decorrência da impossibilidade de que a bolha especulativa continuasse sendo inflada. Em decorrência da falta de pagamento das hipotecas, os bancos mostraram outras fragilidades em seus investimentos. De repente parecia que o mundo ia desabar, o dinheiro e o crédito sumiram, e lá foram os governos serem os emprestadores para impedir uma derrocada no mercado financeiro com consequências terríveis sobre a economia real da produção e dos empregos. A crise foi derrubando vagas e mais vagas, a economia começou a encolher. Os governantes decidiram colocar muito dinheiro para evitar o caos no mercado financeiro, procurando também estabilizar o consumo e preservar empregos.
 
Assim, países desenvolvidos como os Estados Unidos, aumentaram suas dívidas em níveis fora do comum, projetando um cenário de déficits enormes para um futuro não muito distante, que vai mostrar que dinheiro e produção não devem andar separados, pois dinheiro sem produção é apenas papel.
 
Chegará um momento no qual para resolver a questão dos desequilíbrios do dinheiro, cujo estoque não para de crescer e se concentrar em poucas mãos, a solução será o  aumento da taxa de juros. Dinheiro mais caro para cobrir os déficits. Juros mais elevados para inibir a inflação, o que mantém a economia em menor velocidade.
 
O que se depreende disso? Vamos continuar com “vacas magras”. Então é preciso agir rápido no sentido de preparar a população para uma forma de vida compatível, inclusive no que se refere ao controle da natalidade, pois tem sido notório que nas classes menos preparadas, adolescentes e adultas, não estão planejando o nascimento dos filhos.
 
A elevação dos juros e a queda no rendimento em geral e da classe trabalhadora força uma retração de consumo e produção, o que poderá ser visto de maneira menos traumática se pensarmos numa racionalização da produção e consumo, evitando tantos desperdícios e supérfluos, o que também se constitui num fator favorável à sustentabilidade, no entanto isso requer discernimento, disciplina e educação adequada, isto é, preparo para a vida em tempos mais difíceis.
 
Já se nota uma retomada nos preços dos alimentos, do petróleo e das matérias primas.Será preciso olhar para as necessidades da população, possibilitando que haja atividades que possam assegurar o sustento, moradia decente, educação e saúde, pois de outra forma atrairemos caos e violência como nova e incontrolável variável da crise.
 
Por outro lado é necessário eliminar os desequilíbrios econômicos, sociais, ambientais, e cambiais, este tão favorecedor de manobras especulativas. Para alcançarmos paz e progresso equitativo, há a necessidade de uma regulamentação justa e equilibrada, em escala global, para o câmbio, emissão de dinheiro e as operações econômico-financeiras.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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