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A EDUCAÇÃO DE SOFIA

Benedicto Ismael C. Dutra
03/09/2009



Numa época não muito distante, a maioria das crianças ingressava no chamado curso primário e no ginásio, ambos na escola pública. Os turnos tinham duração de quatro horas e as crianças eram curiosas. Elas aprendiam a ler, a fazer contas, estudavam história, geografia e outras coisas mais. Havia um bom aproveitamento e muitos jovens ingressavam no ensino superior sem grandes dificuldades.
 
Hoje em dia, muitas coisas mudaram. As novas gerações não adquiriram o hábito de ler. A televisão e os videogames absorveram grande parte do tempo disponível e os pais não mantiveram a mesma presença no acompanhamento do estudo dos filhos. Não só a qualidade do ensino decaiu, mas a própria  qualidade humana vem decaindo sensivelmente com o passar dos anos. Então, quais são as soluções possíveis para impedir esta contínua decadência?
 
Aumentar o número de horas de permanência nas escolas é uma delas. Se a escola, com maior tempo de permanência dos alunos, ministrar ensinamentos para a paz e o progresso, fornecer alimentação, atividade física e lazer, impedirá que as crianças fiquem perambulando pelas ruas ao invés de aprenderem coisas úteis como cuidar do jardim e hortas, e aprender a fazer pequenos reparos e concertos. Vale lembrar um conselho de Albert Einstein, o célebre físico que propôs a teoria da relatividade: para ter crianças inteligentes, leiam para elas contos de fadas. Para ter crianças mais inteligentes, leiam ainda mais contos de fadas.
 
Educar não é apenas preparar para o vestibular. Seria muito importante se os professores redescobrissem o valor das fábulas e das estórias para encantar as crianças, fazendo-as admirar as coisas que nos rodeiam. Sofia, personagem do livro “O Mundo de Sofia”, de Jostein Gaarder, recebia em seu mundo bilhetes anônimos. Num deles, havia a pergunta: quem é você? Esta é a pergunta que todo adolescente deveria se fazer: quem somos nós? Qual o significado da vida? A vida moderna restringe a visão da magnificência da vida fazendo as pessoas permanecerem apáticas, insatisfeitas com a realidade, mas no entanto, sem desenvolver maiores esforços para compreendê-la e modificá-la para melhor.
 
A educação deve formar seres humanos que reconheçam a sua autonomia interior, com liberdade de decidir, conscientes da responsabilidade por tudo que pensam, falam ou fazem, buscando o autoaprimoramento por livre resolução. A humanidade deve, incessantemente, buscar a ampliação do saber, mas, para isso, os indivíduos precisam de liberdade, pois do contrário a tendência é que se tornem robôs. O ser humano não é uma máquina. Por isso mesmo, as escolas deveriam ensinar às crianças o que é um ser humano, de onde surgimos e por quê?
 
Temos oferecido aos jovens muitas futilidades ao invés do saber real sobre a vida. Então, eles se cansam da escola, abandonando-a por julgarem que ela não lhes oferece nada de novo. O conhecimento sobre o nascimento do planeta Terra e o funcionamento dos mecanismos que possibilitam a vida são indispensáveis para a formação de uma humanidade que possa admirar a vida, a cooperação e a paz.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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