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MOEDA MUNDIAL

Benedicto Ismael C. Dutra
03/09/2009



Desde o final da 2ª Grande Guerra, o dólar se manteve na liderança das moedas e no comando do comércio mundial. De lá para cá, muitas coisas aconteceram e agora a situação do dólar não é mais a mesma, pois deixou de ser um papel raro. Os especialistas avaliam que um novo sistema monetário deverá surgir para suprir a falta de funcionalidade. Naquela época, os Estados Unidos não tinham concorrentes, podendo decidir da maneira que melhor lhes conviesse. Ninguém consegue imaginar como será o arranjo monetário que assumirá o lugar do acordo de Bretton Woods, pois há muitos interesses em jogo face ao poder outorgado pela capacitação para emitir moeda aceita correntemente no mercado mundial. O novo arranjo deveria prover uma nova regulamentação, em escala global, para a emissão de dinheiro e as operações econômico-financeiras, de forma justa e equilibrada, indispensável para alcançarmos paz e progresso equitativo.
 
Por outro lado, é necessário eliminar não só os desequilíbrios cambiais, tão favorecedores de manobras especulativas, mas também os econômicos, sociais e ambientais, para que possamos ter a real evolução da espécie humana e uma vida de qualidade compatível com a nossa espécie. Sem isso, tais desequilíbrios jamais serão sanados, prevalecendo permanentemente, os interesses e as leis dos mais poderosos.
 
Paises como o Brasil levam uma grande desvantagem competitiva, pois enfrentam juros proibitivos, excessiva carga tributária, péssima infraestrutura, muita burocracia, complexa legislação trabalhista, deficiente sistema educacional e, finalmente, câmbio excessivamente valorizado. Todo este conjunto atua como poderosa trava do desenvolvimento e da oportunidade de melhores empregos.
 
A economia acabou se transformando na ciência do dinheiro, pelo qual a humanidade mata e morre, priorizando alcançar a minimização dos custos e a maximização dos ganhos e o combate da inflação que decorre principalmente dos déficits, ou seja, do excesso de dinheiro posto em circulação. A prioridade tem sido a preservação do valor do dinheiro e do poder decorrente do seu acúmulo, embora isso não tenha conduzido a uma real elevação da qualidade de vida e da qualidade dos seres humanos. Os sistemas de distribuição da riqueza, gerada através do esforço humano com o aproveitamento dos recursos naturais, são totalmente falhos, falta-lhes o necessário equilíbrio, entre o dar e o receber.
 
A real evolução humana deixou de ser importante. Com as dificuldades para conseguir trabalho remunerado e com a redução do poder aquisitivo da população, o aumento da desesperança de jovens e adultos está se alastrando e a violência aumentando. Sem perspectivas de melhoras, a população passa a levar uma existência sem ânimo. Faltam oportunidades para que, através do trabalho digno, as populações possam prover as necessidades do lar.
Enquanto uma minoria se apossa da maior parte das riquezas geradas, pessoas que trabalham muitas horas, durante toda uma vida, mal conseguem amealhar um mínimo para sua subsistência. Por outro lado, promove-se novo desequilíbrio com a distribuição de dinheiro para pessoas sem emprego, sem que lhes seja exigida qualquer compensação, o que contraria a lei natural do movimento. Quando os governantes ao invés de criarem oportunidades de trabalho, criam programas de benefícios, os indivíduos e as famílias poderão acabar se acomodando, perdendo a iniciativa para se movimentarem de forma criativa, evoluindo e dando sua contribuição ao fortalecimento do país.
 
As ideias utópicas de uma sociedade comunitária, sem que haja garantia do direito de propriedade, o Estado tomando de uns, para repartir com outros, acabaram em nada, pois essas ideias estão em oposição às imutáveis leis da evolução, até hoje ignoradas pela maior parte da humanidade. Além disso, o ser humano se revelou inapto, sem a necessária confiança para a governança justa e isenta, dando sempre expansão ao seu ego e sede de poder. Sem o reconhecimento de tudo isso, será impossível alcançar a prosperidade e a paz.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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