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A ERA DO DINHEIRO

Benedicto Ismael C. Dutra
01/10/2009



Desde muitos milênios as pessoas já possuíam a noção de que as coisas tinham valores diferentes, passando a usar metais como meio auxiliar de pagamento das trocas de bens. Com a evolução, o dinheiro chegou ao estágio simbólico, isto é, ao valor que extrapola o metal, passando a valer o que nele estava impresso.
 
A grande era do dinheiro surgiu após o término da Segunda Grande Guerra, com a supremacia do dólar americano, que se tornou a moeda de referência. Os bancos se tornaram os grandes criadores de moeda, a exemplo do que no passado faziam os ourives responsáveis pela guarda do precioso metal: ao perceberem que a maior parte do metal depositado nunca saía de sua caixa-forte, começaram a emprestá-lo. Estes empréstimos se transformavam em novos depósitos e, dessa forma o ourives estava criando dinheiro.
 
Os bancos também passaram a manter uma fração de reserva dos seus depósitos, fazendo empréstimos que se transformavam em novos depósitos, gerando uma soma de empréstimos maior do que o seu efetivo em caixa, dinamizando a produção e o comércio. Como se pode observar, quanto menor a fração, maior o volume disponível para empréstimos e cobrança de juros e menor a reserva. A necessária regulação das operações foi confiada aos bancos centrais ou Fed, como a instituição é chamada nos Estados Unidos. Os bancos emprestam entre si e o banco central faz o equilíbrio de contas mediante o open market, redistribuindo os excessos de uns para cobrir as faltas de reservas de outros.
 
O problema com o banco de investimentos americano Lehman Brothers, que anunciou sua falência em setembro do ano passado, ocorreu num momento em que havia um cenário de inadimplências e insuficiência de caixa e não havia confiança no mercado para assegurar refinanciamentos, pois o sistema bancário estava praticando percentual de reservas em níveis muito reduzidos, financiando operações financeiras de risco. Calcula-se que os bancos chegaram à proporção de emprestar até 35 dólares para cada dólar em caixa.
 
O que em essência é simples foi adquirindo uma complexidade espantosa, dada a diversidade de operações financeiras criadas. Os bancos deixaram de financiar apenas a produção e o comércio, adentrando numa variedade de operações especulativas e de risco alto, aumentando muito a liquidez, isto é, o meio circulante, dando ensejo ao surgimento de bolhas em vários setores simultaneamente, a começar pelos papéis negociados nas bolsas de valores. O dinheiro foi o toque de Midas que arrastou a vida para extremos perigosos.
 
O susto financeiro levou à percepção de que a frenética busca pelos cifrões empurrou a civilização e o planeta para seus limites críticos, a ponto de, enfim, estar surgindo idéias incentivando a busca de uma economia mais civilizada e até mais humana.
 
O presidente francês Nicolas Sarkozy foi o porta-voz dessa nova e indispensável tendência, ao enfatizar a necessidade do aumento do bem-estar das populações. De fato, a população que vive na pobreza aumentou, e a maioria dos empregados, receosa de perder o emprego, precisa trabalhar muitas horas, pois além de executar seu trabalho, necessitam operar os computadores que manipulam e controlam muitas informações, mas devem receber os dados.
 
Está na hora de superarmos os efeitos econômicos negativos da era do dinheiro para ingressarmos na era da economia da consciência humana, pois tudo que o dinheiro propiciou foi a utilização imediatista dos recursos naturais básicos, como água, ar, solo, flora, fauna e minerais, para produzir riqueza que se concentrou em poucas mãos, mediante a transferência de dinheiro impresso em papel, ou armazenado na memória dos computadores. No entanto, a riqueza real continua sendo a natureza e os bens que produzimos com ela.
 
A economia da consciência humana deverá cuidar do planeta, ajustando-se às leis da natureza, permitindo aos seres humanos alcançarem suas reais finalidades através da educação e do enobrecimento da vida, tornando-a humana, pois o homem é superior ao animal, mas em sua forma predatória de viver, afastou-se de sua essência mais elevada produzindo um mundo bárbaro sem humanismo.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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