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NOVAS SOLUÇÕES PARA ANTIGOS PROBLEMAS

Benedicto Ismael C. Dutra
16/10/2015



Por que o mundo vive uma fase de baixo crescimento econômico? Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, com a precarização global "fatias salariais declinantes retiram demanda das economias pesadamente dependentes das despesas dos consumidores, de modo que as sociedades perdem a capacidade de consumir...".

Com o remanejamento da produção industrial, o aumento de consumo acarreta o aumento do déficit comercial para muitos países. É uma situação conflituosa que se agrava ainda mais com o cenário de guerra cambial. O dinheiro se entranhou de tal forma na vida que se tornou dominante, e com a falta de efetivas concepções humanistas tudo se transformou numa luta econômica visando poder e riqueza.

Alguns economistas do passado percebiam a falta de um alvo mais nobre do que o continuado acúmulo de capital pelo capital, pois teria de existir uma sintonização dando prioridade aos problemas reais como, por exemplo, o significado da vida, da Criação, das relações humanas e do comportamento, em vez de um viver ocupado tão somente com as necessidades da sobrevivência. Teriam de ser desenvolvidas concepções que levassem a um modo de vida realmente humano, pois fora disso seria gerado um caos de proporções globais.

Após a Segunda Guerra Mundial, consolidou-se um sistema econômico predatório: os países desenvolvidos forneceriam bens industrializados aos países menos desenvolvidos pelo preço que lhes aprouvesse; a propaganda fomentaria a procura; os países atrasados venderiam produtos extraídos da natureza pelo preço que os compradores se dispusessem a pagar, tendo como resultado a balança comercial em déficit a ser financiado pelos países desenvolvidos, gerando permanente dependência e empobrecimento.

Formaram-se grandes fortunas privadas altamente concentradas. Por outro lado, a riqueza pública tem sido transformada em butim para a satisfação de minorias. Em boa parte, temos aí a explicação do enigma da ampliação da miséria planetária para mais de três bilhões de pessoas que vivem com menos de US$ 2,00 por dia.

O crescimento sem limites decorre do artificialismo da forma de viver da sociedade consumista com seus postulados de obsolescência dos bens que produz, gerando inquietação e insatisfação permanente nos consumidores, visando o continuado acúmulo de capital financeiro como a finalidade prioritária da vida. O sistema foge da estabilização. Há muitos incentivos voltados para o consumo desenfreado, mas faltam incentivos para o aperfeiçoamento humano com a expansão da cultura e do progresso moral, social e espiritual.

Precisamos encontrar soluções inovadoras e meios de obter o que a natureza nos oferece sem, no entanto, agredi-la de forma predatória. Faz-se necessária a integração com o habitat para produzir bens e alimentos, pois a ânsia por acúmulo de riqueza elimina o bom senso que exigiria a convivência harmoniosa com os recursos da natureza e seus mecanismos automáticos de regeneração.

Não está correto utilizar frases do Novo Testamento como justificativa: “Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas aquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. ” (Mateus, 13.12). O efetivamente que teria dito Jesus? Estaria se referindo à posse de bens como querem alguns pesquisadores? Certamente, não, pois suas palavras tinham ampla abrangência. Abdruschin esclarece, na Mensagem do Graal, a dissertação O Silêncio: “Tudo quanto é espiritual, expresso segundo nossos conceitos, é magnético; e bem sabes que sempre o mais fraco é superado pelo mais forte, pela atração e pela absorção. Por isso é tirado dos pobres (fracos) até mesmo o pouco que possuem. Tornam-se dependentes. ”

As pessoas que por preguiça não conservam puro o foco dos pensamentos, que não praticam o poder do silêncio, que não exercem a força da boa vontade, se tornam dependentes no espírito, chegando até mesmo à incapacidade de desenvolver seus próprios pensamentos.

A ampliação da miséria decorre da estagnação espiritual dos seres humanos, que acabaram sendo induzidos ao conceito de que nascemos com a finalidade de aproveitar os prazeres da vida, acumulando riqueza material a qualquer preço, mas se tornaram pobres de espírito, para, no desenlace, não levarem sequer um grão de pó, e irão abandonar a Terra como mendigos espirituais.




Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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