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DESIGUALDADE E ENDIVIDAMENTO

Benedicto Ismael C. Dutra
06/11/2015



A miséria se expande pelo mundo. Cada vez mais a riqueza e a renda ficam concentradas em menos mãos. Observa-se a existência de grande turbulência e instabilidade financeira que se instalou pelo mundo atingindo o Brasil, pessimamente administrado, sem a visão de melhorar o futuro. Os capitais entram e saem conforme conveniências do mercado, mostrando as incoerências da globalização. Capitais chegaram, fizeram boas aquisições, engordaram e agora fazem movimento inverso que poderia se caracterizar como uma “desglobalização”, mas com a manutenção dos investimentos.

Os capitais podem circular, mas não deveriam provocar a ruína depois de obterem lucros continuados. São tantas as ocorrências reveladoras da falta de maturidade da humanidade apegada ao materialismo e ao dinheiro, que atestam a sua visão curta, longe da Paz e Progresso.

A partir do século 17, com a criação do Estado que visava estabelecer uma forma de vida regulamentada, assegurando o direito à propriedade, com definição de direitos e deveres do cidadão, pretendia-se abolir o despotismo e absolutismo decorrentes da imposição pela força. Aos poucos foi surgindo a definição dos tributos cobrados da população e destinados aos cofres do Estado, para que este pudesse cumprir suas incumbências, mas ao mesmo tempo compondo uma tentadora massa de dinheiro.

Assim começou a se formar um grande volume de recursos à disposição dos governantes. Evidentemente o montante arrecadado deveria ser todo ele canalizado para o bem geral da população, mas por parecer dinheiro de ninguém despertou a cobiça dos astutos. E também abriu a oportunidade para a concessão de empréstimos soberanos com a garantia dos estados, geralmente mal administrados e propensos à crescente tomada de financiamentos.

Governos endividados perdem a liberdade de ação e tendem a aumentar os impostos e os encargos com juros que são descarregados sobre a população. Quando se endividam externamente é o caos, pois precisam de moeda estrangeira. O mais dramático é o mercado corrompido dos papéis do Estado, que ensejam todos os tipos de manobras financeiras em benefício de poucos. Cobram-se muitos impostos, de 30% a 40% da riqueza produzida (PIB) sem, no entanto, haver equilíbrio no retorno desse montante em benefícios para a população porque o dinheiro se esvai no labirinto das negociatas a que o Estado fica submetido.

Os governos se subordinam aos ditames dos partidos, que muitas vezes ficam sensíveis aos interesses dos doadores das campanhas eleitorais, restando pouco espaço para o que realmente interessa: o progresso do país, a melhoria da qualidade de vida e o aprimoramento da população que habita o planeta. A natureza tem sido continuadamente agredida de várias formas, principalmente as florestas. Os rios e mares não foram criados para serem depósitos de lixo e esgoto sem tratamento. A atmosfera tem seus limites para absorver a poluição. A alteração climática está em curso, indicando que temos de nos adequar; não podemos continuar acomodados como se nada estivesse acontecendo. As advertências precisam ser observadas. Temos de respeitar o planeta para continuarmos sendo merecedores de seu desfrute.

Muitos pesquisadores agora falam intensamente sobre a desigualdade social e a concentração da riqueza. Com o restrito conceito sobre o significado da vida, sempre enveredamos pelo caminho tortuoso das ideias socialistas. O mal básico está na ausência de uma ética que impeça aos humanos de causar danos aos seus semelhantes para satisfazer a própria cobiça.

A vida terrena é um curto período destinado à evolução do espírito; em vez disso, os humanos se acorrentam à matéria, que não é o seu reino, para serem expelidos quando chegar a hora, sem ter aproveitado a vida. Este é um momento dramático para a humanidade atormentada pela falsa visão do significado da vida; no entanto, assim como as outras crises, esta também traz a oportunidade da conscientização e busca do auxílio real.




Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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