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O enigma da força sexual

Benedicto Ismael C. Dutra
26/02/2016



  Desde longa data a humanidade tem se mantido desconhecedora das leis naturais da Criação e, consequentemente, da força sexual e sua influência na ascensão espiritual. Durante longo período prevaleceu o tabu do sexo, pressionando os seres humanos com a falta de compreensão, medos e sentimentos de culpa, como se estivessem submetidos a uma programação geral e coletiva das mentes promovida pela religião e pela família, mantendo-os no alheamento e na ignorância, forçando à abstinência sexual.

 Agora, como resultante da programação coletiva voltada para o consumismo, as novas gerações vivem a era da liberação total para fazer o que bem entendem com sua atividade sexual, desvalorizando-a. No entanto, persiste o desconhecimento do funcionamento das leis da Criação. Com a indolência do espírito o sexo se tornou o mais forte impulso motivacional aproveitado intensamente por tantos apelos e estímulos comerciais.

 No Brasil, o carnaval se transformou na grande oportunidade para externar desejos ocultos, e na festa da camisinha com distribuição gratuita feita pelo governo. Chegamos ao limite da desfaçatez e da falta de responsabilidade individual, a ponto de o governo ter de interferir para evitar transmissão de doenças e gravidez precoce. É a negação do ser humano que se tornou incapaz de gerir a própria vida com seriedade de propósitos. Mas, com isso, o governo incentiva o comportamento irresponsável e embrutecido dos jovens, em vez de fortalecer o estado sonhador da juventude incorrupta, que facilmente é arrastada para as baixarias que desvalorizam o humano a nível inferior ao dos animais. São os modernos templos da decadência que aniquilam as novas gerações antes mesmo de se fortalecerem e se prepararem para gerir a própria vida e conduzirem o futuro da humanidade.

 A sexualidade faz parte da natureza do corpo terreno. Muitos acontecimentos desagradáveis comprovam a sentença de Abdruschin: “A abstinência forçada é um abuso que pode vingar-se amargamente”. Para ampla compreensão, a Mensagem do Graal, de Abdruschin, contém os esclarecimentos para aqueles que sinceramente desejam retirar da consciência o peso do fardo da ignorância: “A satisfação das necessidades naturais do corpo só poderá beneficiar o ser humano interiormente, isto é, o desenvolvimento do espiritual; jamais estorvará, do contrário o Criador nunca o teria instituído”.

 A energia espiritual incandesce o espírito para sua plena atuação na matéria, com seu livre arbítrio e plena responsabilidade, fato que ocorre na transição para a fase adulta da vida. Com o predomínio do raciocínio, a atividade sexual se foi desvinculando da afetividade, do amor das almas, transformando-se numa atividade hedonista e exacerbada, sexo pelo sexo, volúpia e paixão sem qualquer vestígio de nobreza; abuso da energia, nada mais, decaindo a nível inferior ao do instinto dos irracionais.

 Com a vida estressante há pouco espaço para encontros acolhedores de alma para alma,  prevalecendo a busca do prazer imediato. Na aspereza da vida, muitos casais se agridem com palavras pesadas, mentiras, e com atitudes grosseiras de egoísmo e falta da delicada consideração impedindo o relacionamento íntimo duradouro. Não há aquela atmosfera acolhedora do estar juntos, se compreendendo, se aceitando, se amparando, desenvolvendo alvos elevados, se fortalecendo mutuamente com o amor das almas. No dizer de Abdruschin, “matrimônio existe apenas onde paz e harmonia imperam como algo natural; onde cada cônjuge procura apenas viver para o outro e proporcionar-lhe alegria”.

 O aumento do número de divórcios mostra bem o estado precário das relações entre homens e mulheres. Com o distanciamento das almas, ideias e propósitos, a desarmonia vai se instalando, isolando o casal sem que nenhuma das partes faça um esforço para criar pontes para salvar o casamento.

 No entanto, com as afinidades e a consideração sincera, criam-se laços afetivos sólidos para o início de uma nova forma de viver e a formação de uma nova família em busca do aprimoramento pessoal através da compreensão da vida e suas leis, para que os descendentes não percorram a mesma trajetória de vida vazia sem um sentido maior.

 O bom relacionamento afetivo pode formar uma base mais natural. As afinidades espirituais, a mútua consideração, o amor, o relacionamento sexual, deveriam despertar os casais para, em conjunto, estabelecerem alvos elevados de progresso e autoaprimoramento, contribuindo decisivamente para o progresso da humanidade.

 




Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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