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Momento grave no Brasil e no mundo

Benedicto Ismael C. Dutra
10/05/2016



 Há uma forte efervescência no mundo. No Brasil ela é particularmente mais grave devido à displicência e indisciplina de acreditar que tudo deva cair do céu, sem esforço, sem trabalho dedicado. Em grande parte, os governantes pouco primaram pelo desenvolvimento e fortalecimento da população promovendo preparo e condições de vida melhores. Todos tiveram oportunidades de agir e contribuir; muitos falharam, levados pelas cobiças pessoais. Sabotadores, especuladores, falsos líderes e corruptos atrasaram a nação e o povo em seu desenvolvimento natural.    
 
O Estado se tornou perdulário com contratações políticas de pessoal e compras sem critério, atendendo a interesses particulares. As receitas são consumidas no custeio, nos gastos sociais, descontrole e superfaturamento. Nada sobra para investimentos na melhora geral. Desde longa data têm faltado estadistas e empresários empenhados no bem geral da nação.  Com a globalização, ficou ainda pior, pois não há compromisso com a nação e sua população; interessa apenas poder dispor dos recursos estratégicos e lucrativos e vantagens da especulação financeira. 
 
O Estado vai inchando. Obras superfaturadas. Dívidas e juros aumentando. Não há responsabilidade com o futuro e com as novas gerações. Déficits internos e externos. As contas estouram. Atrasados, os emergentes tendem a decair. Faltam interesse, empenho e responsabilidade pelo bem geral.     
 
Não há mais equilíbrio entre os seres humanos, apenas busca de vantagens. A finança, como toda ciência, deveria promover o desenvolvimento da humanidade, ajudando a economia real. O arcabouço financeiro tornou-se dominante estabelecendo mecanismos que asseguram o fortalecimento próprio e independente. Produzir para atender às necessidades e obter ganhos ou produzir ganhos atendendo às necessidades? Além do ganho, o capital quer ser remunerado, embora tenha sido gerado pela produção.
 
O crédito foi uma boa invenção para promover o desenvolvimento, mas dominante, suplantou o humano. O sistema levou séculos para chegar à forma atual. Poder e dinheiro desumanizaram a vida, eliminando os alvos elevados de aprimoramento; tudo converge para a obtenção do ganho financeiro. Não há boa vontade. Mercado e Estado se afastaram do humanismo, do real objetivo da vida. É necessário combater a decadência geral, combater a droga, a criminalidade. Promover a responsabilidade e o real interesse pela vida. A polêmica ideológica nada resolve.
 
Em vez de amor à humanidade surgiu o apego ao dinheiro. Sem que haja um objetivo comum de elevar a qualidade humana e de vida, sempre haverá essa busca de dominação e vantagens. Com a perda do alvo elevado e sufocamento do impulso para a busca do sentido da vida, a sociedade também se acomodou aos ditames da cultura mercantilista. Surgiu o cenário de vida aborrecida e difícil, cuja tensão induz à busca de antidepressivos e compensação nas drogas, na sexualidade casual.
 
No passado, havia um projeto de vida voltado para o aprimoramento da humanidade  e fortalecimento das individualidades. Tudo foi ficando igual, com a antena do idealismo nobre voltada para baixo. O ideal cultivado atualmente é o da fruição do prazer imediato, dando o mínimo espaço ao eu interior para se desenvolver. Forma vazia de viver que vai criando desinteresse pela vida e aumento da criminalidade.
 
O Brasil está decaindo muito. Do jeito que está não dá para continuar. Qual é plano de recuperação do Brasil? Como incentivar os empresários a investir e produzir? Como revitalizar a indústria e gerar empregos. Como revitalizar o país e dar ânimo às novas gerações? Na economia, a palavra-chave também deveria ser renovação. No Brasil, o meio circulante sempre foi restrito. O dinheiro tem de circular e recircular na produção, emprego, comércio, consumo. A recuperação depende do esforço de todos voltado para os interesses do país, com seriedade e esperança.
 
O que está em jogo é o futuro do país. A Constituição não pode ser posta de lado, mas se o Brasil continuar sendo posto de lado por seus governantes, não seria o caso de organizar eleição geral para o país readquirir a credibilidade? Os seres humanos são dotados da capacidade de livre resolução, mas devido ao funcionamento das leis cósmicas, sempre ficam sujeitos às consequências. O Brasil e seu povo têm de se esforçar para renascer e alcançar o seu destino para escapar da decadência e ruína. 
 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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