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Filigranas e a decadência

Benedicto Ismael C. Dutra
17/05/2016



 Na análise do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff criou-se uma enrascada de filigranas jurídicas. No entanto, permanecem sem discussão as causas da decadência do país. O Brasil e sua carente população, que têm sido massa de manobra dos políticos, permanecem estagnados sem um plano de longo prazo visando à melhora. Vergonha nacional, contas desequilibradas, lixo e esgoto espalhados pelas cidades diante da incompetência e falta de vontade de administradores imediatistas. Vergonhosas são as negociatas no palco do Congresso e da administração pública, envolvendo obras caras, mal planejadas. Um grande desafio para os que querem um Brasil mais humano e melhor. 
 
O ponto crítico da gestão da vida sempre se situa nas finanças. Muitas pessoas vão vivendo sem pensar no futuro, gastando o que tem e o que não tem, criando uma situação insustentável para si e para os que estão próximos. O mesmo ocorre em algumas empresas, que acabam falindo. Quando o descuido é nos governos, a desgraça aumenta. Eles aumentam as despesas, tomam empréstimos e se esquecem de olhar atentamente para as receitas e as tendências da economia e vão enchendo o país de dívidas e juros, visando só a permanência no poder. Então sobrevém o caos para os fornecedores e o calote para servidores; a situação fica particularmente dramática, pois ambos dependem do que recebem. Toda a população tem de arcar com a penúria.
 
As mazelas se perpetuam. A Dra. Janaina Paschoal, perante a comissão de senadores que examina o processo de impeachment, falou das operações financeiras que envolvem  milhões de reais emprestados a juros baratinhos para a turma de privilegiados que os reaplicam com juros de mercado, embolsando a diferença na moleza. Caberia a ela examinar também a questão do swap cambial que envolveu a venda de bilhões de dólares antes da forte desvalorização do real após as eleições.
 
Em Brasília há ministérios demais. Será que nada vai mudar e tudo vai continuar na mesma? Pobre Brasil, quando serás uma nação de seres humanos em busca de evolução? A operação lava jato não deve ser interrompida, mas precisa atuar de tal forma que a economia não entre em colapso, pois ainda são preferidas as obras caras, e desprezadas as coisas simples e essenciais no saneamento, na destinação do lixo, na preservação dos rios e nascentes. Falta uma integração entre os Ministérios, os Estados e Municípios para resolver esses problemas e os da educação e saúde? Será por causa do dinheiro?
 
Parece que há algo muito errado nos arranjos da globalização da finança, produção e comércio, pois longe de promover o desenvolvimento harmônico, estão criando desequilíbrios e tensões econômicas e sociais, instabilizando a vida. Os povos deveriam progredir uns ao lado dos outros, mas o sistema que garante ganhos de alguns provoca perdas a muitas pessoas. Os Estados se enchem de dívidas e nada mais conseguem solucionar, enquanto jovens e adultos sem ocupação vão caindo na precarização geral da vida. 
 
A moeda deveria facilitar o comércio, mas o mercado cambial se tornou altamente especulativo. Quem entende essa complicada questão de swap cambial, normal ou reverso? Por que o BC precisa fazer uso dessas operações? Especulação global? Guerra cambial? Juros congelados. Juros negativos. Juros abusivos. No que isso tudo vai dar? Globalmente, o dólar sofre grandes flutuações, mas no Brasil estamos totalmente impotentes diante da constante instabilidade das cotações. 
 
A boa gestão do câmbio, ou seja, a cotação do dólar, é fundamental para os países dependentes de moeda conversível. Se o dólar fica barato, é mais fácil importar mercadorias e viajar para o exterior. Permite que as remessas de lucros gerem mais dólares. Em compensação a indústria local perde a sua competitividade e o país tende a ter um déficit, devendo contrair empréstimos no exterior, se não tiver um volume de exportação de bens e serviços suficiente para equilibrar os compromissos. Sem dúvida são enormes os desafios a serem enfrentados com realismo, pois até agora o câmbio tem sido utilizado como engodo eleitoral. A escassez de emprego no ocidente não é novidade. O paradoxo é que, embora haja tantas coisas a serem feitas, não há emprego. Como solucionar, como integrar finança, produção, trabalho e consumo de forma construtiva?
 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
Comentários:


Edson da Cruz Maria (ed_maria@ig.com.br) comentou em 18/05/2016 - 15:05:25

A vida core seu rumo sem detença e as pessoas parecem viver a esmo, não se vislumbra perspectivas de melhoras pois não existe um interesse em mudar de foco e procurar o porque das coisas estarem com estão. Sera que somente na desesperança é que as pessoas irão acordar para a verdadeira vida.Afinal somos seres de origem espiritual e devemos procurar o esclarecimento a respeito de nossa origem, para que possamos um dia voltar para lá.

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