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Somos responsáveis pelo futuro

Benedicto Ismael C. Dutra
26/08/2016



 Hoje, como ontem, sempre estamos formando o futuro, e as consequências virão infalivelmente em conformidade com o que está sendo gerado. As esperanças de melhora se perdem diante da falta de responsabilidade para com o futuro da humanidade e do planeta e das dificuldades que vão surgindo. O homem tem de compreender a natureza e agir em conjunto com ela. Contamos mais de sete bilhões de habitantes atuando num complexo sistema de produção. Estamos adentrando em forte turbulência. É preciso humanizar as pessoas para alcançar a sustentabilidade natural. No livro A Trajetória do Ser Humano (Madras Editora) é examinada a evolução da humanidade. O homem dispõe de vontade, raciocínio e poder de decisão para entender a vida, mas suas escolhas têm provocado a involução em vez de progresso real.
 
Com angústias e receios estamos recebendo o impacto de atentados cruéis e desumanos que ceifam vidas, semeando o pânico e a intranquilidade. As indagações sobre as causas são muitas e poucas as respostas. Porém, no mundo dos pensamentos, o cérebro funciona como transmissor e receptor, conforme for a sua sintonização. Quando não conduzimos o cérebro, ele acaba nos conduzindo, e aí prevalecerá a força das conexões às quais permitimos o acesso e perdemos o controle sobre nós mesmos sem nos darmos conta disso.
 
Os inúmeros pensamentos e imagens de ódio e violência diariamente lançados pelas pessoas e exibidos na mídia vão se infiltrando na mente do desajustado que, de repente, se descontrola e se torna um monstro. Muitos indivíduos podem ficar presos em comportamentos, sentimentos e pensamentos que em nada contribuem para o reequilíbrio emocional perante as dificuldades da vida, passando a agir por impulso sem refletir intuitivamente o que está ocorrendo. Com força de vontade e ação, a humanidade poderia e deveria chegar ao lugar que lhe cabe saindo do vergonhoso atraso em que se encontra.
 
Estamos enfrentando um sério problema na formação das mentes infantis. Harriet Griffey, no livro A Arte da Concentração, revela que pesquisas constataram que após o advento das TVs nos lares, o potencial da concentração das novas gerações se foi reduzindo. Mesmo pesquisando a fundo o funcionamento dos hemisférios cerebrais sentimos que fica faltando alguma explicação. Em sua obra de esclarecimento Na Luz da Verdade, Abdruschin nos fala dos dois cérebros, o frontal com seus hemisférios e o cerebelo, e a conexão com o "eu interior", que uma vez desconectada, vai desumanizando o homem a ponto de acabar agindo não mais como ser humano, tornando-se o destrutivo ser desalmado capaz de cometer inimagináveis atrocidades. 
 
Falta coração ao ser humano, isto é, falta espírito, predomina o materialismo com suas limitações, ampliando o egoísmo e o apego ao dinheiro. Os sistemas econômicos e políticos sem coração são produzidos por seres humanos sem coração, que não compreendem o significado da vida, não querem compreender e nem querem que ninguém compreenda. Não há passado, nem futuro, só o agora sombrio gerado pelo imediatismo e falta de responsabilidade para com o futuro. Em meio à austeridade na economia e precarização geral, muitas pessoas ficaram sem tempo para evoluir, e sem dinheiro para consumir.
 
Apesar de todo avanço da tecnologia, ainda há permanência de jornadas mais longas com salários congelados. Há os que têm dois empregos, com pouco tempo para dormir; não leem, não prestam atenção a eles mesmos. Os desocupados ficam entediados pela falta de propósitos e precisam se cuidar para não cair nas drogas. O tempo livre deveria ser empregado na boa convivência e no ócio criativo que promovem o crescimento pessoal da essência humana.
 
No mundo materialista sem espiritualidade, as atenções se voltam prioritariamente para o dinheiro. Não há passado, nem futuro, só o hoje sombrio e vazio, tudo se movendo pelo dinheiro. A vida dos seres humanos se transformou num processo rotineiro. Vive-se o presente com muitos afazeres ou com o tormento do vazio sem finalidade. Felizmente ainda restaram algumas possibilidades do livre pensar e manifestar. Aproveitemos o que resta de bom para forjar um mundo melhor.
 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
Comentários:


Antonio Mariano Peixoto (mariano.peixoto@outlook.com) comentou em 28/08/2016 - 20:08:24

Dutra, amei o Aprendizado Contínuo, pois também sou dessa filosofia que é, acredito, igual à do meu Guru, que procuro vivenciar cotidianamente:
“Toma, em primeiro lugar, conhecimento de ti mesmo, no íntimo; depois, pensa e age. Todo pensamento vivo é um mundo em preparação; todo ato real é um pensamento manifesto. O mundo material existe porque uma ideia começou a germinar na Consciência Divina. O pensamento não é essencial à existência e nem a sua causa, mas é um instrumento do futuro; eu me torno aquilo que vejo em mim mesmo. Tudo o que o pensamento revela em mim, eu posso vir a ser. Esta deverá ser a fé inabalável do homem em si mesmo, pois Deus está dentro dele.” SRI AUROBINDO



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