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A falência do Estado

Benedicto Ismael C. Dutra
27/09/2016



 Nos anos 1950, logo após o término da Segunda Grande Guerra, havia um alvoroço em todo o planeta. Muitos seres humanos ansiavam encontrar a Luz da Verdade buscando a espiritualidade para uma vida melhor, com paz e harmonia. Naquela época havia muitos obstáculos: interferência da religião, censura velada, dificuldade de acesso aos livros. Hoje em dia é tudo mais fácil: há mais liberdade, a Internet tornou tudo mais acessível para os pesquisadores. No entanto, os apelos para o consumismo e a ânsia por prazer imediato, a luta pela sobrevivência, a queda do nível moral e educacional, acabaram agindo como entorpecentes para o espírito. O enrijecimento acelerou e o homem ficou irreconhecível, parecendo mais máquina insensível do que ser humano vivificado pelo espírito. Onde estão os sinceros buscadores da verdade?
 
As condições gerais estão se agravando com a escassez de água, a destruição das florestas e o esgotamento dos recursos naturais. Faltam estadistas sérios e competentes. Tudo ficou desarrumado, numa fase de grandes endividamentos e austeridade. A ausência de planejamento para controle dos déficits das contas internas, da balança comercial e das contas externas gerou a dependência ao mercado financeiro. Sem o ajuste desses desequilíbrios nenhuma nação pode prosperar.
 
A globalização poderia ter sido melhor; mas além de provocar ferrenha concorrência entre desiguais, acabou agravando os desequilíbrios em vez de reduzi-los. Sem projetos que possibilitem equilíbrio na produção, comércio, emprego e consumo, vai ser difícil acertar em termos financeiros e sociais. As engrenagens da economia perderam a velocidade devido aos obstáculos criados pelo artificialismo das bolhas, agravadas pela concorrência acirrada promovida pela economia global. É preciso gerar fundos para os juros e as dívidas crescentes, e tudo vai sendo cortado, o que reduz ainda mais o giro e os empregos.
 
O dinheiro público continua sendo o grande atrativo. Os sanguessugas estão sempre atentos. É preciso a garantia de resultados positivos, sem os esquemas favorecedores de políticos e protegidos na forma de parceria espúria. Décadas de descaso e inépcia estão levando ao descalabro, ao colapso do poder público, à falência do Estado e da República pela falta de tratamento adequado das finanças públicas. Que se cuide a classe política, pois dessa confusão poderão surgir novas formas de governo acabando com a festa dessas estruturas burocráticas arcaicas e viciadas.
 
A atividade econômica perdeu dinamismo, permanecendo estagnada. Não há ânimo para produzir. Os consumidores ou estão endividados ou perderam renda devido ao desemprego, redução de salários e da renda de aluguel de imóveis. Quem tem aplicação baseada na taxa Selic recebe os juros, mas os grandes aplicadores não acrescem o consumo; se forem de fora, menos ainda, e os preços vão subindo embora as vendas estejam caindo. Os juros contribuem para manter o desequilíbrio e a tendência de crescimento da dívida, no mínimo ao nível da taxa de juros. Se o governo não está emitindo, se tudo está se contraindo, de onde vem a inflação?
 
Para assegurar o progresso e brecar graves problemas que já estão ocorrendo é fundamental que todos, e principalmente as novas gerações, sejam motivados a buscar as respostas para que possam atuar visando a melhora geral das condições de vida no planeta e o aprimoramento da espécie humana, em paz e alegria pelo dom da vida. 
 
Quais deveriam ser as aspirações dos jovens nesta era de turbulências? Os jovens estão sendo dirigidos na direção das ninharias da vida através das pequenas telas de seus smartphones, percebendo cada vez menos a grandiosidade da vida e da Criação, que lhes possibilita o tornar-se ser humano.
 
As novas gerações devem ser adequadamente preparadas para que surjam seres humanos de qualidade e responsáveis, benéficos a si mesmos e ao planeta. Pais e mães têm que se conscientizar da responsabilidade de gerar os filhos e dar a eles uma base sólida para que saibam analisar as situações e usar a intuição e o raciocínio para encontrar as melhores soluções, e para entender que será através do próprio esforço que irão obter uma vida digna.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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