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Carta da Princesa Isabel sobre o Barão de Mauá


28/09/2016



Endereçada ao sócio de Mauá, descoberta em 2007 em meio ao arquivo do Memorial Visconde de Mauá, RJ. Há uma controvérsia sobre o relacionamento entre Mauá e o Imperador D. Pedro II. A carta viria a desfazer boatos históricos da "rivalidade" entre Mauá e a Monarquia. A verdade aparece clara que além de serem amigos, eram também cúmplices em projetos sociais. Além de que D. Pedro II do Brasil agraciou Mauá com o título de Visconde anos depois de sua falência, o que mostra a admiração e consideração.

 
“11 de agosto de 1889 – Paço Isabel 
Corte midi
 
Caro Senhor Visconde de Santa Victória* 
 
Fui informada por papai que me colocou a par da intenção e do envio dos fundos de seu Banco em forma de doação como indenização aos ex-escravos libertos em 13 de Maio do ano passado, e o sigilo que o Senhor pediu ao presidente do gabinete para não provocar maior reação violenta dos escravocratas.
 
Deus nos proteja dos escravocratas e os militares saibam deste nosso negócio, pois seria o fim do atual governo e mesmo do Império e da Casa de Bragança no Brasil.
 
Nosso amigo Nabuco, além dos Srs. Rebouças, Patrocínio e Dantas, poderem dar auxílio a partir do dia 20 de Novembro quando as Câmaras se reunirem para a posse da nova Legislatura. Com o apoio dos novos deputados e os amigos fiéis de papai no Senado será possível realizar as mudanças que sonho para o nosso Brasil!
 
Com os fundos doados pelo Senhor teremos oportunidade de colocar estes ex-escravos, agora livres, em terras suas próprias trabalhando na agricultura e na pecuária e delas tirando seus próprios proventos, realizando uma grande e verdadeira reforma agrária a quem é de direito.
 
Fiquei mais sentida ao saber por papai que esta doação significou mais de 2/3 da venda dos seus bens, o que demonstra o amor devotado do Senhor pelo nosso Brasil. Deus proteja o Senhor e todo a sua família para sempre!
 
Foi comovente a queda do Banco Mauá em 1878 e a forma honrada e proba, porém infeliz, que o Senhor e seu tão estimado sócio, o grande e mui querido Visconde de Mauá aceitaram a derrocada, segundo papai tecida pelos maldosos ingleses de forma desonesta e absolutamente corrupta!
 
A queda do Sr. Mauá significou uma grande derrota para o nosso Brasil!
 
Mas não fiquemos mais no passado, pois o futuro nos será promissor, se os republicanos e escravocratas nos permitirem sonhar e realizar mais um pouco.
 
Pois as mudanças que tenho em mente, como o senhor já sabe, vão além da liberação dos cativos e que seus sustentos sejam realizados de forma honrosa.
 
Quero agora me dedicar a libertar as mulheres dos grilhões do cativeiro domestico, e isto será possível através do Sufrágio Feminino!
 
Se a mulher pode reinar também pode votar!

Agradeço vossa ajuda de todo meu coração e que Deus o abençoe!
 
Mando minhas saudações a Madame la Vicomtesse de Santa Vitória e toda a família.
 
Muito de coração
ISABEL”
 
Fonte: Memorial Visconde de Mauá RJ e Museu Imperial de Petrópolis RJ.
revista Nossa História, nº 31.
 
*Visconde de Santa Victoria era o braço direito de Mauá .
 
A Lei Eusébio de Queirós, que em 1850 aboliu o tráfico negreiro, liberando capitais para outras atividades, estimulou ainda mais uma série de atividades urbanas no Brasil. Foram fundadas 62 empresas industriais, 14 bancos, 8 estradas de ferro, 3 caixas econômicas, além de companhias de navegação a vapor, seguros, gás e transporte urbano. Nessa realidade, destaca-se a figura de Irineu Evangelista de Souza, o Barão e Visconde de Mauá, símbolo maior do emergente empresariado brasileiro, que atuou nos mais diversos setores da economia urbana.         
 
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