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Alicerces instáveis

Benedicto Ismael C. Dutra
05/10/2016



 Tem sido lamentável a imperícia na condução das contas públicas. Recursos retirados da saúde e educação foram absorvidos por juros e perdas cambiais. O desemprego tem aumentado por vários fatores, inclusive pela desindustrialização. É preciso recobrar o equilíbrio com seriedade e competência na governança, e bons exemplos da classe política que se posta como dona do país visando vantagens pessoais em confronto com o poder econômico.
 
Na crise financeira de 2008, os ativos inflados artificialmente pela economia de bolhas que transformou o mercado financeiro em cassino, atraindo grande volume de capitais para os Estados Unidos, estão sendo mantidos na atualidade pelos anabolizantes das finanças e endividamento público, como sendo os alicerces do mercado financeiro, mas que podem implodir a qualquer momento, arrastando também o Brasil despreparado para o limbo. A situação financeira global está complicada, com muita liquidez e pouca atividade.
 
Com juros de 14,25%, a dívida vai aumentando. Quem pode, aumenta os preços; quem não pode, vê os custos aumentarem e as receitas baixarem, sejam empresas ou trabalhadores. Portanto, há a grande dúvida sobre o benefício que a manutenção dos juros nesse nível possa trazer. O que se tem observado é a estagnação ou declínio da atividade econômica com a perda de empregos. O Brasil permanece sendo simples peão sem vontade própria no tabuleiro global, sem planos para produzir e exportar mais. Dependente de importações, o país desvaloriza o câmbio.
 
O Brasil deveria ter reduzido a sua condição de importador deficitário, que troca matérias-primas por bugigangas, mas vem regredindo há décadas devido às governanças descompromissadas com o progresso real, cuja atuação tem sido voltada prioritariamente para a conservação do poder. Saímos do ruim e caímos no pior com o  PT que tendia para criar no país uma nova Venezuela arrasada. Agora temos de sair do marasmo e defender os interesses daqueles que aqui vivem e se esforçam por um futuro melhor.
 
A governança do país não tem se preocupado com os déficits internos, da balança comercial e das contas externas. Para a cobertura, ou aumenta a dívida ou vende tudo, como está acontecendo. Os Bancos Centrais colocaram uma montanha de dinheiro no mercado global; parte disso desemboca nos emergentes, mas isso não está trazendo benefícios, pois os ativos vão mudando de dono, mas não há expansão da economia. Como vai ser quando chegar a hora da remessa dos lucros?
 
Na história econômica vem se ampliando o divórcio entre a economia e a natureza, e o bem-estar da humanidade, no que se refere ao progresso material e ao aprimoramento pessoal. Assim foram gerados vários desequilíbrios afetando profundamente a qualidade de vida e a segurança econômica na mal disfarçada beligerância econômico-financeira entre os blocos. Os ajustes que se ensaiam esbarram nos desequilíbrios gerando outros, pois o mal básico reside nas estruturações que se afastaram da naturalidade. 
 
O Brasil e o planeta precisam de uma geração forte que pense com simplicidade, clareza e naturalidade. A pressão das imagens e informações sobre o cérebro está aumentando, chegando a sufocar o eu interior e a reflexão intuitiva, desenvolvendo uma geração superficial, apática e desmotivada. Os jovens gastam muita energia com futilidades via smartphones. Não se trata apenas de enxergar a vida pequena pela telinha, mas da real possibilidade de estar perdendo foco e energia devido às interações com acontecimentos fúteis que geram inquietação, impaciência e irritabilidade. 

É necessário reduzir o tempo dispendido nessa atividade que permite a invasão da mente, bloqueando o contato com o eu interior que se faz com a reflexão intuitiva. Essa é a grande diferença entre o ser humano com capacidade de pensar e analisar, e a máquina que executa os comandos automaticamente. Os ensinos fundamental e médio, que são a base para o bom aproveitamento da sequência de estudos, precisam conter mais praticidade e eficiência para educar melhor para a vida, eliminando essa lacuna criada pela superficialidade crescente na forma de pensar. O essencial é preparar os jovens para construir um futuro melhor, pois muitos deles estão sem propósitos enobrecedores e se concentrando apenas em ninharias e prazeres. 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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