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Limite crítico

Benedicto Ismael C. Dutra
21/12/2016



 Atualmente, com a forte turbulência econômica e política tudo é preocupante. Não sabemos o que realmente está se passando. Por certo há muitas lutas pelo poder nos bastidores. O Brasil gasta acima do que arrecada, pagando juros anormais e está no limite crítico da dívida. O país precisa de um mínimo de paz para se tornar uma nação de verdade e sair da mão dos aproveitadores que só causam ruína. Equilíbrio é a palavra-chave nas contas internas e externas, e na produção e consumo.
 
Capitalismo de mercado ou de Estado? Ambos dependem do ser humano e suas metas. Com os homens do mercado no comando, o alvo é maximizar o lucro e o domínio, o que afeta a liberdade. Com os homens do Estado no comando, a estratégia para conquista de mercados é avassaladora, perde-se a liberdade, a criatividade e o anseio para conhecer o significado da vida ficam sufocados. Mas isso também está acontecendo no mundo dirigido pelo mercado com o cultivo da indolência e a robotização dos seres humanos. Com a falta de “coração” os homens de cérebro dominam,
 
Afastando-se do eu interior, o coração, o ser humano se desumaniza e pode provocar a destruição do planeta. O mundo precisa de liberdade e responsabilidade para que o ser humano possa alcançar o lugar que lhe cabe, buscando o equilíbrio nas relações entre os povos, possibilitando, com isso, produzir, comerciar, preservar, empregar, consumir, evoluir.
 
Donald Trump, o presidente eleito dos Estados Unidos, surge como um líder carismático que motiva os norte-americanos a restaurarem a América. Fala do câmbio, mas a desordem vem desde 1971 com o abandono de Breton Woods, sem que se estabelecesse um sistema adequado de paridades. Os interesses se consolidaram no sentido de aproveitar as condições favoráveis para fazer da Ásia a grande fábrica, gerando lucros para corporações e reserva de dólares na China. Agora as consequências estão criando enormes dificuldades num mundo endividado, desigual e com poucos empregos.
 
Quando a produção industrial foi sendo deslocalizada, poucos se preocuparam com as consequências; os custos baixavam, os lucros melhoravam e o consumidor tinha preços melhores enquanto o câmbio era manipulado. Agora há desemprego e desesperança nas ruas. Sem humanização espiritualizada da forma de viver não haverá saída.
 
Em recente artigo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso analisa as transformações de nossa época, ressaltando que “as propostas para o futuro devem olhar as necessidades concretas das pessoas”, mas isso é o que a classe política deveria ter feito desde sempre. A credibilidade só advirá quando a ação revelar que há estadistas sérios no poder atuando para a construção que visa a melhora geral.
 
Nenhum ser humano pode se isentar de sua responsabilidade pessoal, nem os congressistas nem os juízes. O poder na mão de um só sempre foi danoso pela oportunidade de abusos. Tem de haver limites e responsabilização pelas decisões pessoais ou no exercício do cargo. Uma reestruturação geral deve se iniciar com a reestruturação do ser humano que, se julgando dono do planeta, criou leis e normas com a sua vontade egocêntrica e restrita, desprezando as leis da Criação que regem a vida  e propiciam o progresso e o desenvolvimento humano de forma equilibrada. 
 
As novas gerações nada diferem das anteriores; o problema está na estruturação do cérebro, mais mecanicista, influenciada pelas novas tecnologias de comunicação. Os jovens logo aprendem tudo sobre sexo, porém pouco aprendem sobre a responsabilidade de gerar filhos e prepará-los para a vida. A educação sexual tem de incluir a conscientização ética e espiritual sobre a geração e a respectiva responsabilidade.
 
Estagnada e com os talentos do espírito atrofiados, a humanidade se encontra muito abaixo do lugar onde deveria estar, persistindo no erro quanto ao preparo das novas gerações. Para que haja melhora efetiva, os jovens têm de reconhecer que a humanidade trilhou caminhos errados e precisa buscar o aprimoramento da própria espécie.
 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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