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CREPÚSCULO E LUA NOVA

Benedicto Ismael C. Dutra
06/12/2009



No filme Lua Nova, Bella leva as pessoas para a sombra de seus pesadelos, e acorda deprimida. Ela não examina a situação com bom senso, querendo forçar soluções antinaturais. Em seu delírio comete atos de irresponsabilidade. Mergulhar de um precipício equivale a desafiar a morte, sem necessidade e sem conhecer o valor da vida; e tudo ela faz em sua maneira de não querer enxergar a realidade, buscando o impossível. Ao invés de buscar uma saída, estabelecendo objetivos para sua vida, ela se deixou envolver pela apatia e desinteresse pelas soluções adequadas, descuidando-se da casa, dos estudos, dos amigos. No entanto, ela foi usar e abusar da amizade de Jacob, o menino lobo.
 
Em Crepúsculo, o heroísmo de Edward arrebata o coração dos jovens. Mas em Lua Nova tudo é empurrado num ambiente sombrio, onde a essência humana desaparece sob a rotina sem vida e o embrutecimento geral.
 
Muitas meninas saíram do cinema desanimadas sem saber por que. Inconscientemente absorveram a síndrome de Bella. E fica mesmo difícil perceber a causa. Lua nova mostra uma pessoa incompleta, incapaz de buscar soluções que não condizem com o seu delírio. A própria vida de Bella é uma grande incerteza, mas isso tudo fica oculto na trama inverossímil. Como muitos jovens de sua geração, ela não vê um horizonte definido. Fruto de um lar desfeito fica desorientada. O ambiente não favorece o reconhecimento do sentido da vida. Então, surgiu Edward que possibilitou a ela achar  um culpado para camuflar a sua falta de objetivos, coragem e perseverança para seguir em frente.
 
Desconhecendo a sua essência humana, mesmo assim queria perdê-la. A essência humana é o que há de mais valioso para ser preservado, no entanto, as novas gerações são continuamente afastadas dela e não se transformam em verdadeiros seres humanos, perambulando pela vida como robôs vazios, sem finalidade e sem alegrias, perseguindo fantasmas e fantasias sem consistência. Sem perceberem onde está o valor real, caminham na direção errada.
 
Como disse o filósofo Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem”, brutal e impiedoso quando se trata de atingir os seus objetivos. Os vampiros, por sua vez, sugam a energia e as idéias alheias para beneficio próprio. Ambos deixam o egoísmo dominar e vão passando por cima de tudo e de todos sem consideração para com o próximo, aumentando a indiferença e a falta de motivação.
 
Irradiando inconformismo e tristeza, Bella contamina o ambiente dos que estão à sua volta. Os jovens necessitam de modelos sadios que mostrem o sentido da vida, a importância do preparo para as realizações, o valor da espontânea alegria, que vem do íntimo, para a saúde física e mental. Estamos ligados ao local onde vivemos e temos que contribuir para a sua contínua melhora em todos os sentidos.
 
O casal se sente atraído um pelo outro. Eles se abraçam, se iludem, vão para a cama. E depois? Precisam de objetivos e metas a serem alcançadas. Finalidades nobres e elevadas. Cultivar harmonia. Contribuir para a felicidade geral para, assim, sentirem a própria felicidade.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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