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A economia e as guerras

Benedicto Ismael C. Dutra
06/01/2017



 Os países endividados, mal geridos e com população sem preparo como o Brasil que se cuidem, pois terão seus recursos cobiçados. Desde a República, proclamada em 1889, os governantes pouco se esforçaram para forjar um país independente, com população bem preparada para a vida, apto a evoluir. Foram 500 anos de atividade predatória, mas nos últimos 127 anos de República mal concebida, com o Estado atrelado a interesses particulares, o país ficou longe da melhora real.
 
Com mais de 12 milhões desempregados, deixam de circular de sete a dez bilhões de reais ao mês com seu efeito dinâmico, que vai emperrando as engrenagens da economia. Economistas precisam focar nesse problema que é mundial, buscando alternativas antes que seja tarde demais. Lamentável. Como consequência, vai sendo desconstruída a nacionalidade, o idioma, a indústria, os rios, as novas gerações. Enquanto a Venezuela foi desconstruída em decorrência do voluntarismo de seu comando, no Brasil a desconstrução roubou a fibra, e a população não sabe mais qual o potencial do país e nem tem preparo para aproveitar esse potencial para o bem geral. 
 
O economista Angus Deaton, ganhador do prêmio Nobel, disse em entrevista que a globalização não está agonizando e que trouxe muitos benefícios. Deaton tem razão; após a globalização algumas coisas melhoram nesse mundo que até fins do século 19 admitia o trabalho escravo como fator de produção. Mas a humanidade está doente e os culpados são os próprios seres humanos que se afastaram das leis naturais, tateando com seu cérebro dominador sem se esforçar para ouvir a voz interior, que é a intuição com sua conexão com esferas mais elevadas. Em sua restrição, o cérebro criou teorias e armadilhas, mas a essência dos males está na falta da espiritualidade e no domínio do egoísmo e sede de poder. Mas segundo o economista, as coisas poderão piorar ainda mais  com a chegada dos robôs para substituir o trabalho humano. 
 
Os países da América latina enfrentam redução na atividade econômica e queda na arrecadação, o que mostra bem a situação crônica de descontrole financeiro na região; uma questão que deveria ter exigido do FMI melhor supervisão, pois rotineiramente os déficits impõem aumento de sacrifício para as populações, refletindo-se na educação e preparo das novas gerações, o que ao final representa declínio geral pela perda no capital humano.
 
Os grandes desafios globais para 2017: desequilíbrios nas relações econômicas, ficando uns com a parte do leão e outros com o osso, e que se agrava com o declínio na educação e preparo para a vida, além do custo elevado do dinheiro e descontrole das contas internas e externas dos países constituídos sem estadistas competentes. O mundo poderia ser muito melhor, cada povo com sua cultura, sem miséria nem doenças, sem a degradação que aflige a humanidade, com saúde, alimentos e progresso para todos que se esforçarem.      
 
Para que a democracia evolua continuadamente para melhor é necessário o bom preparo das novas gerações para a vida; na falta disso, irá retroceder. O mundo enfrenta grande volume de liquidez concentrado em poucas mãos conjugado com capacidade ociosa. Desemprego. Estados endividados. Revoltas. Limitação de recursos naturais. A desordem econômica é geral. O mundo vive a precarização e se desumaniza. Será que os intelectuais imaginam que, como no passado a economia se fortaleceu com guerras apesar do grande número de vítimas, isso possa ser replicado outra vez? Insensatez, pois agora são outras as condições. Sem saída à vista, o cenário atual vai ficando cada vez mais perigoso.
 
Se não houver objetivos claros para alcançar a melhora com a união de todos, continuaremos deslizando para baixo, deixando os recursos naturais existentes para desfrute dos especuladores globais. De um lado há a precarização geral e, de outro, ampliação do apagão espiritual e mental. Temos de reumanizar a vida assumindo a posição que cabe à espécie inteligente dotada de liberdade de resolução. O ano novo de 2017 é a grande oportunidade para sair do marasmo e da restrição do raciocínio imediatista que impede de enxergar a realidade da vida e de assumir a responsabilidade pela melhora geral.
 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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