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O futuro da humanidade

Benedicto Ismael C. Dutra
20/02/2017



 Muito se fala em esperança para o Brasil, mas será que estamos saindo da grave recessão? Pelo menos já tiraram os bodes da sala. Ainda é preciso dar sustentabilidade para a educação, melhorar a qualidade humana e os empregos. Todos os povos têm o direito ao trabalho e a uma vida digna. O livre mercado e o capitalismo precisam estabelecer o equilíbrio para que a globalização traga bons resultados para toda a população do planeta.
 
No final dos anos 1990, muitas indústrias quebraram. Abertura e câmbio acabaram com muitas delas, não houve preparo e não havia como competir com os produtos importados. Não havia clara percepção de que a economia de livre mercado enveredava por novas trilhas de concorrência mais acirrada, aliando o livre comércio ao câmbio manipulado, tecnologia e mão de obra barata. Pergunta-se aos economistas e aos estadistas: o que fazer para reverter essa situação?
 
A Unidade Real de Valor (URV) foi engenhosa, mas acabou exportando empregos via câmbio. O descontrole das contas do poder público e as taxas de juros elevados contaminaram o espírito de iniciativa. A austeridade fiscal, como paliativo, não resolveu o problema fundamental dos países estruturados para gerar déficits. Sem restaurar o equilíbrio nas contas internas e externas, e entre produção, comércio, trabalho e consumo, o abismo vai se tornando mais próximo. Quanto mais o governo se intromete, mais oportunidades de falcatruas surgem. Até onde vai a desfaçatez para a conquista do poder. A mais volumosa corrupção global está acontecendo no Brasil. 

O que haveria para censurar se um presidente do Brasil tivesse dito no século passado: “Primeiro o Brasil”, e zelado pelo meio ambiente, educação e preparo das novas gerações, desenvolvimento tecnológico e industrial, impedindo a exportação de empregos, ampliando a infraestrutura em vez de construir estádios? Se tivesse seriedade na política, controle financeiro interno e externo para não ser um eterno deficitário que toma empréstimos sem planejar, pagando juros elevados e assustando o mercado com a possibilidade de inadimplência?
 
A nova economia global seguiu por um caminho obscuro. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra os efeitos disso na redução dos empregos. As coisas estão acontecendo rapidamente e há pouca atenção para esse grave problema. Reduzem-se custos, automatiza-se, busca-se por mão de obra que aceite condições precárias, isso tudo está afetando o sistema vigente até agora com produção, comércio, trabalho, consumo. Juros e câmbio são importantíssimos; mal calibrados, só causam estragos. Além disso, é preciso observar o sistema autocrático que está sendo gerado com imposições de chefes de Estado e dirigentes de corporações sem atentarem para as reais finalidades da vida humana.

Os países em desenvolvimento deveriam se posicionar para obter uma situação cambial mais realista, favorecedora de exportação, mas se apegaram aos benefícios eleitorais do dólar barato para importações mesmo que aumentem o déficit. Com os fluxos especulativos, o câmbio perdeu toda a sustentabilidade, varia de acordo como as manipulações. Estados Unidos, Europa, Inglaterra e Japão podem emitir a vontade. A China quer participar desse jogo. Guerra das moedas pelo poder? Guerra cambial pelos mercados? Aonde vai parar esse desarranjo cambial global? O planeta tem seus limites, pois os recursos naturais são finitos, mas a emissão monetária e a acumulação de capitais não têm limites. Há algo de muito estranho nisso.
 
As novas gerações estão em processo de transformação. Houve uma ruptura com a cultura existente fragmentando tudo, embora ela contenha muitas falhas e bases frágeis, mas nada está sendo colocado no lugar. Houve um tempo em que as pessoas eram espontaneamente prestativas, sempre prontas a ajudar onde fosse necessário. Sempre havia uma conversa boa, uma palavra amiga para ser dita. Hoje, só raramente encontramos esse tipo de atitude na vida turbulenta sem tempo para nada. 
 
Há um grande atraso na civilização humana, particularmente mais visível nos países menos desenvolvidos, com baixo índice educacional, saúde precária, com população indolente facilmente influenciável pela mídia de massa com seus modelos nada edificantes. Quanto mais surgem avanços na tecnologia, maior é o afastamento do eu interior que gera as individualidades, ficando todos muito parecidos, sem foco, levando vida vazia sem propósitos. O fundamental não é só o futuro do trabalho, mas principalmente o da humanidade. Que tipo de ser humano haverá no planeta?



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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