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Desconexão e fragmentação

Benedicto Ismael C. Dutra
31/03/2017



Há um sentimento de perda geral de conexão do indivíduo consigo mesmo e com as demais pessoas; entre as pessoas e entre essas e tudo o mais. Há também o fenômeno da fragmentação. Tudo parece estar em pedaços para dificultar a visão clara. A mentira é a grande arma que destrói a humanidade e vem sendo empregada há milênios, como meio de dominação, na religião, na política e na economia, ou seja, na vida em geral. 
 
Enfrentamos a grande crise de credibilidade devido ao abusivo uso da mentira e da falsidade, em vez de usar a simplicidade e naturalidade da verdade, e tudo foi perdendo a clareza, ficando obscuro. O mundo está em transformação que vai acelerando a desconexão do ser. Ninguém acredita em mais nada.
 
Com os modernismos, caímos no alheamento do significado da vida, uma questão complexa posta de lado por pais e educadores, mas os jovens precisam ser despertados para essas questões: o que estamos fazendo neste planeta; como melhorar as condições de vida; qual o significado da vida; de onde viemos, para onde vamos; o que é a Criação.
 
Com a crise econômica a vida se tornou mais difícil para os jovens pela redução de oportunidades de futuro melhor. É preciso que busquem a compreensão da existência e a melhora geral das condições do planeta para não caírem na depressão, desinteresse e vida sem sentido. Trata-se de uma luta árdua, dada a invasão de suas mentes por tantas informações fragmentadas e desconexas. Os jovens têm talentos que precisam ser despertados e postos em ação para que isso lhes traga a alegria de estar participando de algo nobre, engrandecedor.
 
Endividamento e juros quebram Estados. Automação e globalização destroem empregos. Como manter a previdência? É um problema que se aproxima. Há erros antigos nas relações do trabalho que vêm à tona. É necessário que se crie um novo regime de trabalho que se fundamente no equilíbrio entre o que se recebe e o que se oferece. Só assim poderão ser eliminados os conflitos.
 
A abertura entre as nações foi como colocar crianças para jogar com adultos experientes; os mais jovens sempre perdem o jogo. Muita gente ganhou muito nesse jogo, mas agora a mesa está rachada, perdendo a sustentabilidade. Tecnologia, comunicações e política formam a base, mas a política se dobra diante dos interesses dos grupos que favorecem a eleição e reeleição, pois não há busca de equilíbrio, prevalecendo os ganhos de uns para perdas de muitos, gerando insatisfação, violência, aumento do uso de drogas, desesperança, criminalidade, abrindo o caminho para o populismo.
 
Livre Mercado e Capitalismo de Estado têm que implantar metas que criem estabilidade e oportunidades de desenvolvimento humano, para não gerar mais insatisfeitos e indisciplina. A população precisa de trabalho e renda para consumir; de educação que promova o aumento da qualidade humana, do bom senso e discernimento. Enfim bom preparo para alcançar um futuro melhor.  É indispensável que sejam feitos todos os esforços para formar seres humanos de qualidade, autônomos, atentos, com raciocínio lúcido e clareza no pensar, aprendendo, vendo e fazendo.
 
Estamos vivendo a era do apagão mental e da desconexão geral com o mundo; ela começa no indivíduo que vai se separando de si mesmo, de sua essência espiritual e da vida real, e passando a viver exclusivamente em função do conteúdo que assimila através do cérebro, ligando-o a uma realidade ilusória gerada pelos conceitos falsos. Significa a alienação da vida real, a perda da visão e capacidade de enxergar por si mesmo e tomar decisões conscientes. Com isso, ele acaba perdendo a condição humana, caindo no enrijecimento, vivendo como alienado. 
 
Para se reconectar consigo mesmo e com a realidade da vida, o ser humano tem de buscar a Luz da Verdade e servir-se de sua energia curativa para forjar o renascimento ético, moral, econômico. Um alvo nobre que requer a participação de todos, com a prioridade de construir um mundo digno, que visa a melhora da qualidade humana e das condições gerais de vida com equilíbrio, eficiência e continuado progresso.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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