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Novos rumos para o Estado

Benedicto Ismael C. Dutra
03/05/2017



 Ao encerramento do feudalismo foi sendo estruturado o Estado em que os reis tinham poder de vida e morte. Esperava-se a melhora das condições e soberania territorial. Já naquela época começavam a ser geradas as bases para o governo emitir moeda e garantir a sua circulação, gerar receita, ter a capacidade de contratar empréstimos a juros e assegurar solvabilidade. 
 
O Estado, que deveria ser o garantidor da ordem e da propriedade privada, passou a se intrometer em tudo e a tutelar os indivíduos despreparados para a vida e com pouca iniciativa. As pessoas têm de ser fortes e independentes. O Estado foi ganhando força e poder e a classe política tornou-se dominante e abusiva com tantas possibilidades em suas mãos. Com o fortalecimento da esfera do poder econômico, iniciou-se um processo de redução do poder do Estado cujos governos pouco a pouco vão tendo seu poder de decisão reduzido.
 
O dinheiro público continua sendo o grande atrativo. Os sanguessugas estão sempre atentos. Surgiram esquemas favorecedores de políticos e protegidos na forma de parceria espúria. Décadas de descaso e inépcia estão levando ao descalabro, ao colapso do poder público, à falência do Estado e da República pela falta de tratamento adequado das finanças públicas e do progresso da população.
 
Chegamos ao limite da incoerência em que as aplicações financeiras especulativas se tornaram mais rentáveis do que qualquer empreendimento que se queira iniciar. As variáveis de juros, câmbio e ações abriram inúmeras oportunidades de ganhos pouco éticos a custo de toda a sociedade. É constrangedora a perda do dinamismo pela economia global. Por vários fatores deixou de ser interessante produzir no Brasil e em vários outros locais. Está isso certo? A globalização e a consequente abertura dos mercados aumentaram a circulação, mas também as disparidades. O que fazer para restabelecer o equilíbrio? A continuar dessa forma qual será o futuro do Brasil e de outros países atolados em dívidas e sem atrativos para produzir internamente? Há alternativas para promover melhoras gerais?
 
Sem a reforma do ser humano, tudo o mais será paliativo e tudo permanecerá nos baixios da desfaçatez, da irresponsabilidade. Inacreditável, mas essa é a real e deplorável situação da decadência da humanidade onde indivíduos de mau-caráter se postaram como donos e dirigentes, arrastando a população para o abismo da decadência. Falta um diagnóstico claro sobre as causas do declínio e o que fazer para sair da beira do abismo. Precisamos mesmo de uma higienização geral.
 
A coesão social da humanidade como um todo se acha em processo de ruptura. Após o término da Segunda Guerra Mundial, iniciou-se um processo de mudança radical do modo de vida e de pensar dos seres humanos com forte apelo para a sexualidade displicente, concretizando o afastamento do espiritual, promovendo o aumento do caos sem definir com clareza um modo de vida que conduza ao progresso real. Como efeito disso, a espécie humana está perdendo a consciência de sua missão de compreender o funcionamento das leis da vida e beneficiar a Criação, e não sabe mais para que está vivendo.
 
Com a forte sedução do materialismo e o aumento da aspereza nos relacionamentos, a coesão social da humanidade entrou em colapso e a consciência de um ideal comum está sendo destruída pela ausência da utilização da energia espiritual. Aumentam o descontentamento e insatisfação, predispondo a movimentos de massa de consequências imprevisíveis. 
 
O momento exige um esforço redobrado para manter vivos os propósitos e valores humanos, não permitindo que entrem em colapso. Se a chama do ideal não for preservada forte e brilhante, a confiança e a solidariedade entre os seres humanos serão abaladas, passando a ver o seu semelhante como um competidor, um inimigo que precisa ser vigiado. Falta educação e preparo. A humanidade tem agido com displicência a respeito do significado da própria vida, pois sua tarefa é buscar a compreensão da lógica que reside na Criação e suas leis e, amparada nelas, agir de forma construtiva.
 
 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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