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Confrontação entre os povos

Benedicto Ismael C. Dutra
05/01/2018



 Teceu-se um amontoado de incompreensões, discórdias e conflitos entre os seres humanos, mas o Criador de Todos os Mundos é único e suas leis alcançam todos os seres humanos independentemente em que fronteiras tenham nascido e em que acreditem. Uma das tarefas prioritárias de nosso existir é a busca por esclarecimentos sobre a finalidade da existência, e se isso não for feito desde cedo, a fase da velhice deve ser aproveitada para esse propósito com toda a energia.

O Natal deveria ser a época de festejar a paz e a boa vontade, mas a humanidade ainda não compreendeu direito a missão de Jesus, que não veio à Terra para abolir as Leis da Criação ou os ensinamentos dos Profetas, mas sim complementar o saber com a Luz da Verdade, trazendo a aurora da libertação espiritual. Além do “colhereis o que semeares”, pouca coisa mais restou de seus ensinamentos originais, seja porque não foram compreendidos, ou foram esquecidos ou modificados. 
 
A incompreensão é de tal monta como se observa na canção Noite Feliz cuja versão em português se refere ao “pobrezinho que nasceu em Belém”, diferentemente da letra original alemã Stille Nacht. O Enviado de Deus não era um “pobrezinho”, era o Filho de Deus, encarnado como ser humano com toda a pompa do Universo, e um cometa anunciou o seu nascimento. Centenas de vídeos de Natal são compartilhados para alegrar e divertir os seres humanos, poucos inspiram uma reflexão mais profunda sobre a noite sagrada.  
 
Com o crescente domínio do raciocínio em oposição ao espiritual, a aspereza expandiu-se e muitos seres humanos desenvolveram o pior em si mesmos. Muitas pessoas sentem o impulso para mudar de sintonização, mas não sabem como, quedando-se sem forças. Charlie Chaplin, estudioso da vida, não temia falar abertamente o que sentia e desejava, porém não foi compreendido e sofreu por isso, tendo sentido no mundo materialista fortes barreiras para exercer o humanismo que quer o aprimoramento. Expressou bem esse desejo no filme de 1940, O Grande Ditador: 
 
“O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”.
 
Com base em financiamento, produção, exportação que geraram empregos e ganhos o poder econômico fez a América grande e poderosa. Depois veio o crescimento do Japão com trabalho e yen barato. Agora surge a China com mão de obra em abundância e polpuda reserva gerando disputas. O presidente Trump entra em campo com a outra potência já montada em polpuda reserva constituída com o que o sistema permitiu, feito que não havia sido alcançado nem pelo Japão. Nesse meio pergunta-se: o que de benéfico os EUA e a China estão propiciando ao mundo? Como sairemos da crise política, cultural e econômica que estamos atravessando?
 
A América chora de barriga cheia, mas agora os velhos mecanismos não funcionam e a China vai crescendo a 7%, então vão surgindo atitudes que poderão acelerar a curva do desequilíbrio histórico. Entre as inúmeras dificuldades que enfrentamos, agora acresce  a desordenação geral que se vai ampliando. É o mundo VICA (ou VUCA), conceito que exprime a velocidade, incerteza, complexidade e ambiguidade que cercam os acontecimentos de nossos dias instabilizando as relações humanas, tornando incerto o futuro.  
 
Na disputa pelos mercados o presidente Trump fala que quer fazer a América grande outra vez - a MAGA -, e surgem planos econômicos nesta época em que as finanças e a economia a tudo suplantaram pondo o humanismo a perder espaço. Nos embates, a massa vai empobrecendo. Meio ambiente, impostos, câmbio, juros, tudo vai sendo mobilizado na confrontação geoeconômica pelo aumento de poder; não sabemos no que isso vai dar, o planeta e a humanidade estremecem.
 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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