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Como pôr a casa em ordem

Benedicto Ismael C. Dutra
29/09/2018



Desde épocas imemoriais o homem tenta seguir o caminho da vida com vistas ao espiritual e sobreviver de forma condigna no mundo material afastado da miséria. O reconhecimento dos entes da natureza foi um passo para chegar à Adoração ao Deus único, mas os objetivos materiais sobrepujaram tudo o mais. Surgiram as religiões, o dinheiro, o capitalismo e o Estado capitalista. Dominam agora objetivos ligados ao dinheiro, poder. As guerras comerciais-econômicas e a miséria são as consequências naturais. Cada povo colhe o que semeia. Esperemos não seguir a Venezuela.

As teorias das vantagens comparativas e do livre comércio são de outra era e, neste mundo, com quase oito bilhões de habitantes, precisam ser atualizadas para que não se ofereça vantagens a uns com perdas a outros. Os países precisam de empregos e de esforço para adaptação ao seu ambiente, o que exige bom preparo das novas gerações, equilíbrio nas contas internas e externas sem cair no endividamento. A globalização quer tudo no mesmo balaio sem olhar para questões específicas, deixando que surjam a miséria e a precarização.
 
Petróleo é fundamental, mas sua cotação sempre apresenta instabilidade. Guerra comercial, sansões econômicas, o que se passa de fato? Com certeza está havendo um embate entre forças com objetivos antagônicos. O que se percebe são efeitos negativos que aceleram a desordem nos países melhor administrados e o caos nos mal administrados, caso do Brasil e outros, cuja população despreparada e desorientada não sabe o que fazer. No geral se observam cidades e países ao abandono, enquanto seus recursos naturais vão mudando de mãos sem ensejar melhoras internas. Com isso há perdas com deterioração das regiões urbanas e aumento da insegurança.
 
Os países têm vivido em desequilíbrio geral nas contas internas e externas, na produção, empregos, comércio, e no preparo das novas gerações. Há décadas os mais fracos permanecem no prejuízo, financiando déficits com alto custo, entregando recursos naturais a preço de banana. Estranho que se passaram décadas até que os EUA buscassem restabelecer as contas deficitárias. A OMC, tão previdente, poderia ter minimizado o desequilíbrio. É para isso que essa organização deveria existir. O Brasil, mal gerido há décadas, precisa de um governo que seja pró Brasil, pois a guerra comercial tende a se agravar e quem tiver governo displicente vai ficar por baixo e sacrificar sua população.
 
Como encontrar a causa principal do que se convencionou chamar de nova estagnação secular? Os políticos só pensam em si e nos seus interesses, mas os países entraram em rota de desequilíbrio geral, e as novas gerações estão cada vez mais envolvidas pela parafernália tecnológica de informação voltada para o superficialismo, afastando-as do significado da vida.
 
Eleito presidente em 2002, Lula, do PT, fez o que seus antecessores descuidaram: deu renda à massa de pobres sem ensinar a pescar, sem educar, incentivando a renda fácil, comparando-a com os juros elevados pagos pelo Brasil. Pão e circo. Seu carisma e suas doações sem contrapartida encantaram o povo. Ao mesmo tempo com o dólar barato as indústrias iam fechando e a dívida amentando. Bastava olhar para perceber que seria um longo reinado. 
 
As táticas empregadas não destruíram o ídolo. E agora o que vai ser? O Brasil está afundando. Sem emprego, sem bom preparo dos jovens, com renda declinando e precarização aumentando, com tv de baixo nível, cada vez há menos motivação para fazer as coisas bem feitas, a esperança baixando. Qual será o futuro do Brasil? É preciso pôr a casa em ordem, mas temos que olhar para que tipo de futuro está sendo gerado
 
O dramático apelo feito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre a necessidade de sensatez dos eleitores bem poderia ter ecoado no início do século. A população do Brasil chegou a um ponto de viragem democrática, enojada diante de tantas mazelas públicas e privadas, internas e externas, todos querendo abocanhar o seu quinhão. Os anseios de um “basta” e de busca de melhor futuro se adensaram com força insuspeitada de norte a sul. O país necessita de governantes pró-Brasil, chega de vendilhões. Nesse sentido, a esperança recai naqueles que se mostram sinceros patriotas e fora dos esquemas oligárquicos de governo. Errar é possível, mas é preciso inovar na União e nos Estados. 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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