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O BEM AMADO

Benedicto Ismael C. Dutra
31/07/2010



Baseado na obra de Dias Gomes, o filme “O Bem Amado”, de Guel Arraes, tem como cenário a imaginária cidade de Sucupira. No entanto, retrata ingredientes que estão presentes em inúmeras cidades deste planeta, lamentavelmente envolvidas pelo caos e pela falta de propósitos de sua população.
 
O prefeito Odorico Paraguaçu não se esforça muito para ocultar a sua falta de ética na conservação de seu cargo, tampouco o seu oponente e a população, que não sabe o que quer, se deixa envolver pela vacuidade das manobras políticas que pretendem influenciar e modelar o comportamento da população. Fumo e bebida estão presentes em muitas cenas. As irmãs Cajazeiras, reféns de seu puritanismo, se esforçam para apimentar o relacionamento com o Prefeito, mas é a filha dele que mostra como usar o tempero sensual arrebatando os sentimentos do romântico jornalista Neco Pedreira, o personagem mais ajuizado da estória.
 
O filme tem um aspecto interessante por retratar com fidelidade a vidinha acomodada dos seres humanos em geral, sem maior interesse pelo verdadeiro significado da vida. Acho oportuno citar Abdruschin (pseudônimo de origem árabe adotado pelo escritor alemão Oscar Ernst Bernhardt para assinar suas obras literárias de cunho espiritualista), que tratou dessa questão da indolência e do comodismo humano com profundidade. Segundo o autor, o ser humano se encontra num ponto intermediário, podendo através de seu querer almejar a Luz do saber ou as trevas dos erros. “Eles próprios constituem o baluarte através de cuja força de vontade a Luz ou as trevas encontram firme apoio, podendo daí agir com maior ou menor força. Quanto mais a Luz ou as trevas dessa maneira ganham poder sobre a Terra, tanto mais cobrem a humanidade com aquilo que podem dar, com coisas boas ou más, salvação ou infortúnio, felicidade ou desgraça, paz paradisíaca ou tormentos infernais”.
 
Sucupira mostra exatamente que, pelo modo de ser indolente de seus habitantes, ao invés de felicidade, a desgraça foi atraída para a cidade, e seu prefeito se deu mal, atraindo os tormentos infernais que fez por merecer.
 
A vida pode ser maravilhosa. Depende de nós, de nossa vontade, de nosso esforço para sair do marasmo e atrair Luz e alegria para a nossa vida, mas não podemos desperdiçar um minuto sequer de nosso precioso tempo com futilidades.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
Comentários:


ADRIANO (adriianosilva@hotmail.com) comentou em 17/05/2012 - 09:05:02

o filme também mostra a realidade dos prefeito da nossa cidades.É relata que ainda tem pessoas acomodadas.

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