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IMPLANTE DE IDEIAS

Benedicto Ismael C. Dutra
13/08/2010



No filme “A origem”, dirigido por Christopher Nolan, em cartaz nos cinemas, enquanto o corpo e o cérebro de Leonardo di Caprio, dormem, ele invade os sonhos alheios pesquisando o subconsciente, aquilo que as pessoas jogam lá para o fundão e que acaba alimentando suas motivações de forma inconsciente. Penetrar no íntimo de uma pessoa já se apresenta como uma coisa muito perturbadora. Mas um empresário ganancioso, desejando aumentar seu poder econômico contrata Don Cobb, o personagem interpretado por di Caprio, para plantar uma ideia no inconsciente de outro homem. Isso se afigura mais tenebroso ainda.
 
Quantas de nossas ideias não foram implantadas de fora para dentro pelas imagens e modelos que nos são dados a ver? Pensemos na questão sexual, que deveria ser para nós uma coisa tão natural como é para os irracionais. Somos seres humanos, mas temos um corpo de origem animal da categoria dos mamíferos, que se reproduzem através do contato sexual. Os animais são movidos pelo instinto, os humanos também deveriam ter uma conduta natural, superior, no entanto sem se deixar levar por instintos animalescos.
 
No passado tínhamos o tabu sexual. O sexo era visto como pecado. Aos representantes da Igreja não se permitia a união conjugal com o sexo oposto. As crianças recebiam a falsa noção de que eram trazidas pelas cegonhas, e assim se formavam as novas gerações diante de incoerências, mistérios e fantasias, desconhecendo as necessidades de um corpo adulto e sadio.
 
O uso da mulher nua e da sexualidade se tornou produtivo nos anúncios, propagandas e filmes. Hoje o sexo está permanentemente presente na televisão através dos filmes e telenovelas, mas as crianças continuam com a deformação educacional que as impede de perceber a naturalidade do sexo. Elas crescem sem aprender que ele faz parte da vida adulta e sadia, mas que deve ser submetido à responsabilidade e ao respeito pelo outro.
 
Se muitas mulheres atraentes ganharam dinheiro através da comercialização do nu em filmes e revistas, agora, na era das redes de comunicações, muitas meninas adolescentes, sem preparo para a vida, se deixam exibir de forma erótica em tempo real, na internet, sem perceber que na verdade estão produzindo pornografia. Estão contribuindo para multiplicar a ideia de sexualidade irresponsável, desprovida de um sentimento mais profundo, sem pensar que estas relações superficiais podem render, por descuido ou azar, uma gravidez não programada, gerando filhos indesejados para pais despreparados, ou ainda, resultando em perigosos abortos. No Brasil cinco milhões de jovens não tem o nome do pai em seu registro de nascimento.
 
E assim vai. De ideia em ideia, o que vai se perdendo é a espécie humana consciente e responsável, e tudo vai ficando cada vez mais confuso. No Irã, uma mulher casada, Sakineh Mohammadi Ashtiani, supostamente manteve relação com outro homem. De repente, o casamento dela já não tinha mais valor. Sua defesa diz que ela era agredida pelo marido e não vivia como casada havia dois anos. No entanto, foi condenada à pena de morte por apedrejamento. Será que lá as pessoas estão isentas de pecado, e assim poderão atirar muitas pedras preparadas para esse fim? É sádico. Pobre Sakineh.
 
Agora a lei quer regular a vida em comum de pessoas do mesmo sexo. Que seja, mas isso não pode ser chamado de matrimônio, e sim de um contrato previsto para assegurar direitos civis, pois matrimônio é que não é. Um homem e uma mulher se unem para juntos viverem a sua paixão e seu amor com responsabilidade, progredirem, formarem um lar e gerarem filhos que se tornem seres humanos de qualidade. Isso é matrimônio, é beleza e naturalidade.
 
Uma palavra final, segundo a escritora espiritualista Roselis von Sass: “os sonhos são vivências da alma que se afasta, enquanto o corpo e cérebro permanecem dormindo. Dependendo da qualidade dos sonhos poderemos acordar alegres e bem dispostos ou deprimidos. Dos sonhos, o que lembramos são apenas os fragmentos finais pouco antes de acordarmos”.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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