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CONVIVÊNCIA E ASPEREZA

Benedicto Ismael C. Dutra
15/10/2010



Quando nos isolamos, perdemos a oportunidade de conviver, aprender e evoluir. A boa convivência sempre foi um importante elo de ligação entre os seres humanos. No entanto, os seres humanos estão se isolando e a convivência está perdendo o seu valor por não mais oferecer as condições do bom entrosamento, pois, não raro, por trás de sorrisos, se esconde a falsidade que oculta as reais intenções.
 
Enganar alguém é como dar-lhe um golpe dolorido. As pessoas não veem, não percebem o que está se passando por confiarem, mas o desalento não se faz por esperar, e as pessoas não percebem de onde está partindo a sua tristeza e inquietação.
 
A boa convivência se acha prejudicada porque deixou de ser uma convivência de almas para se transformar numa convivência de cérebros que visam interesses pessoais: cérebros astutos que ocultam suas intenções mais íntimas de engrandecer a si mesmo, agindo sem contemplação para impedir que outros se sobressaiam ou possam tomar a sua posição. Só com equilíbrio no dar e receber será possivel o fortalecimento dos laços de confiança e cooperação mútua, indispensáveis ao progresso real.
 
Como esperar que o mundo possa sair do atoleiro formado pela vaidade e desconfiança? As pessoas não se preocupam em preservar relacionamentos que a seu ver não lhes trarão maiores proveitos, desprezando muitas vezes pessoas sinceras por considerá-las inadequadas, mesmo após terem aproveitado as contribuições delas, passando a procurar outros menos instigantes, que obedecem as suas imposições sem questioná-las. A convivência predatória na qual as vantagens devem ficar apenas para um está perdendo a sustentação. Esse desequilíbrio provoca desconfiança e desentendimento. Sem confiança, tudo se fragmenta. Se a convivência não retornar aos diálogos sinceros, corre o sério risco de ser extinta pelo consequente isolamento das pessoas.
 
A seguinte cena serve de exemplo para este quadro: duas amigas estão conversando na rua a caminho do trabalho. Uma delas diz: “Disfarça que eu não quero que aquela maluquinha nos veja”. A outra não entende bem e nem acha que a terceira seja maluquinha, sendo logo vista por essa que se aproxima sorridente dizendo: “Olá minhas amigas, como vão?”. A primeira então disfarça e se apressa em dar beijos falsos falando: “Oi minha querida, como vai você? Mas que bela surpresa…”. Infelizmente, cenas como esta são bem mais comuns do que imaginamos e fazem parte do cotidiano de muitas pessoas, que não se importam em ter discursos diferentes, julgando uma pessoa pelas costas e agindo de forma agradável, para manter as aparências, em sua frente.
 
Pessoas que sentiram a humilhação do abandono e exclusão injustificados, não podem cair em desânimo. Devem levantar a fronte, prosseguir com coragem. Depois de uma noite escura, o sol sempre retorna para nos alegrar e fortalecer. Devem abandonar a rigidez diante dos caminhos intransitáveis, pois sempre há muitas alternativas. Para enxergá-las, basta não cair em lamentação e seguir em frente. A cada dia que passa, a convivência se torna mais difícil, a prepotência e arrogância substituíram o amor e a generosidade, mas sempre haverá pessoas com as quais poderemos fazer um intercâmbio sadio com base na lei do equilíbrio do dar para receber.
 
Aqueles que apenas querem receber sem oferecer nada em troca, pouco se importando com as consequências para o próximo, arquitetando planos que melhor satisfaçam as suas conveniências, algum dia perceberão a fragilidade de sua obra e a pobreza em que deixaram a sua alma. Faminta e sedenta, esta alma pedirá água e alimento para reencontrar o caminho da paz e a capacitação para construir harmoniosamente obras duradouras que beneficiam a humanidade. Mas, antes, terão de buscar, com humildade, o pão espiritual que nutre e vivifica a alma.
 
Paz e harmonia serão atraídas naturalmente, quando for restabelecido o equilíbrio na convivência, com cada um trazendo o melhor de si para o benefício geral. As pessoas percebem isso intuitivamente, gerando o mútuo respeito como base da convivência harmoniosa.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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