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Que o Brasil de amanhã não seja a Venezuela de hoje

Benedicto Ismael C. Dutra
09/01/2026



A situação do povo venezuelano tem sido marcada por crise econômica profunda, instabilidade política e dificuldades humanitárias. Trata-se de mais uma situação típica da humanidade. Um grupo se posta à frente das riquezas e com sua cobiça açambarca tudo, deixando de cumprir a tarefa de administrar a nação para o bem geral e melhora das condições gerais de vida.

A história está cheia de momentos em que a riqueza da nação é capturada por poucos, enquanto a maioria fica com migalhas; isso não é exclusivo da Venezuela. É quase um padrão recorrente quando instituições são frágeis e o poder se concentra demais, controlando os recursos naturais, as instituições políticas, os meios de comunicação e de coerção. É a captura do Estado por grupos que se colocam entre o povo e suas próprias riquezas.

Na Venezuela, a inflação atinge níveis extremos. Faltam alimentos, medicamentos e combustível e cerca de 82% da população vive na pobreza, sendo que mais da metade em pobreza extrema. Cerca de 7,7 milhões de venezuelanos deixaram o país em busca de condições melhores.

O característico bom humor do brasileiro está sendo solapado. O Brasil tem sido chamado “o país do futuro”, mas não tem sido bem conduzido e as condições gerais de vida não evoluíram tendo, em muitos casos, regredido, podendo se tornar no futuro uma sub-nação semelhante a atual situação da Venezuela.

Apesar de a Venezuela possuir as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, o petróleo tem sustentado o Estado, mas não tem resultado em melhores condições de vida para o povo marcadas por pobreza, inflação e serviços públicos colapsados.

É mais um triste episódio da trajetória declinante da humanidade. O povo tem de receber bom preparo para a vida e se esforçar para obter melhora. O governo e as elites devem contribuir nesse sentido. Retirado do poder, o presidente da Venezuela, é preciso que haja a interrupção da sangria, como escreveu o autor Eduardo Galeano. É preciso que haja dignidade humana e progresso na Venezuela e em toda a América Latina.

A democracia do Estado-nação tem sido atropelada pela tomada do poder por grupos que impõem governo forte. Ludwig von Mises, defensor do liberalismo e da economia de mercado, desenvolveu críticas vigorosas ao controle governamental, seja sob regimes totalitários ou democráticos, demonstrando como a interferência estatal distorce os mecanismos econômicos, inviabilizando seu funcionamento e levando ao caos. Em geral, o planejamento estatal tem provocado a desorganização econômica e social, sufocando a liberdade individual e a prosperidade das nações.

O planejamento centralizado com fortes estruturas de controle se opõe à ordem espontânea dos mercados. O sistema de preços é detonado. As escolhas individuais ficam restritas. Recentemente o Capitalismo de Estado e o intervencionismo têm produzido acumulação mercantilista de capital através de produção voltada para a exportação, gerando aumento da produtividade, avanço tecnológico e ampliação do mercado interno mantido sob rígido controle.

O que se depreende desse sistema é a aniquilação das individualidades, a tendência para a estagnação do desenvolvimento da massa humana submetida a rígidos controles de comportamento social, minando a base universal do desenvolvimento espontâneo. Sem dúvida, a coerção sobre a liberdade individual acaba restringindo o querer pessoal que, impossibilitado de se transformar em ação, gera estagnação, mas essa é uma tendência que vai se esboçando em ambos os sistemas.

Há milênios, a massa humana tem sido distraída com ninharias para não achar as respostas sobre os enigmas da vida, anulando o livre querer íntimo, enterrando o saber espiritual. A sociedade tendeu para o sistema: para os amigos que pensam igual, tudo; para aqueles que não se submetem às imposições, o rigor das leis criadas pelos homens.

O confronto entre os Estados Unidos e a China é também o confronto entre esses sistemas. Mas se o capitalismo de mercado não deu à humanidade vigoroso impulso para o seu aprimoramento através da busca da Luz da Verdade, o Capitalismo de Estado restringe ainda mais o ser humano, vedando a busca da compreensão da vida através da busca do saber espiritualista, o qual dá a real dimensão da vida amparada na atuação das leis universais da Criação, que existem desde sempre dando ao espírito humano a possibilidade de se reerguer do mundo material para o espiritual, a sua origem não captada pela ciência cerebrina.

 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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