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A MORTE NO CINEMA

Benedicto Ismael C. Dutra
16/02/2011



Há uma grande lista de filmes que tem levado para as telas dos cinemas o enigmático tema da morte, lamentavelmente, nem sempre com a clareza que um acontecimento natural requer. O diretor mexicano Alejandro González Iñárritu também adentrou para essa lista com seu novo filme, “Biutiful”, que apresenta o protagonista, Javier Bardem, no papel de Uxbal, um homem que no cenário globalizado de miséria, corrupção e falta de ética, enfrenta a morte iminente e carrega grandes culpas. Um drama forte que explora a morte como pano de fundo em clima de baixo-astral.
Muitos filmes, partindo de cenas amenas, repentinamente levam o público diretamente para cemitérios ou velórios. As pessoas são lançadas de surpresa para uma cena de alto impacto.  As cenas de morte ou menções veladas a ela induzem ao pensamento que com a morte tudo acaba e não há tempo a perder para consumir e desfrutar os prazeres desta vida.
 
Com o cérebro assustado e temeroso, as pessoas perdem o domínio sobre si mesmas, passando a agir de forma impulsiva, sem reflexão, vivendo de forma imediatista, pois onde falta clareza e naturalidade, o medo se instala.
 
Com o enfraquecimento da intuição e de sua flexibilidade, o ser humano passou a sujeitar-se exclusivamente ao cérebro, cujo funcionamento rígido possibilita manipulações e condicionamentos. Com a intuição ativa, a vontade pessoal se evidencia, indicando o que a pessoa quer ser, ter ou fazer. A ação parte de dentro para fora. Mas, com a indolência espiritual e o predomínio do cérebro frontal, as pessoas passam a ser influenciadas, consciente ou inconscientemente. Seus desejos são incentivados de fora para dentro.

Edward Bernays, considerado o pai das relações públicas e da propaganda, foi o primeiro a sistematizar as ideias sobre a formação de opinião e a forma de influenciar o público, dando sugestões e conselhos para líderes políticos. Bernays foi um dos primeiros a tentar manipular a opinião pública com o subconsciente. Foi também pioneiro no uso da psicologia e outras ciências sociais para criar suas campanhas de persuasão do público.

Usando de psicologia, sociologia e até psiquiatria, chegou-se ao conhecimento profundo das motivações humanas e do funcionamento do cérebro a partir das descobertas do cientista russo Pavlov. Tendo perdido a perspectiva ampla da vida, restaram três motivações básicas que dominam o ser humano da atualidade: medo em geral e o medo da morte, sexo e vaidade. Simultaneamente, elas são empregadas para influenciar a opinião pública; sendo o objetivo da propaganda comercial levar as pessoas a comprarem os produtos anunciados, mesmo que não sejam essenciais.
 
No entanto, por trás das aparências, atuam as leis da Criação em absoluta lógica, mostrando a transitoriedade da vida para quantos ainda ousam pensar um pouco sobre o seu sentido. A morte é um fato tão natural como o nascimento, mas hoje em dia as pessoas não sabem se cuidar, agindo de forma imprudente, abreviando seus dias com excessos de todos os tipos. Em tempos remotos, as pessoas morriam com idade avançada depois de terem aproveitado bem a oportunidade que foi dada através do corpo carnal que, logicamente, deve ser devolvido para a terra. Não havia temores nem culpas, pois cada um conhecia bem a trajetória espiritual do ser humano.
 
A vida na Terra é uma passagem nos degraus da evolução espiritual, cujo sentido foi perdido em decorrência de erros e ignorâncias que desde milênios vêm imiscuindo-se na história da humanidade, alastrando-se e obscurecendo a verdade e impedindo, dessa maneira, o desenvolvimento espiritual dos seres humanos.
 
Em sua obra literária, a escritora espiritualista Roselis von Sass escreveu que “nenhuma pessoa devia esquecer que cada hora e cada minuto a aproximam mais do momento em que há de deixar a Terra, e que ela mesma cria, para si própria, o céu ou o inferno, mediante sua vontade e ações. Quem durante a vida se lembrar da morte, também viverá de tal modo que não precisará temê-la”! Há sempre a esperança de que, algum dia, ainda poderemos assistir a filmes que tratem da morte com a naturalidade da lógica que sustenta as leis da Criação.
 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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