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O DRAMA DA ECONOMIA GLOBAL

Benedicto Ismael C. Dutra
03/12/2008



Primeiro Ato – No início do século XXI mais de 6 bilhões de pessoas habitam o planeta. O meio ambiente dá sinais de estresse. Apesar disso, um incontrolável surto especulativo vai se desenvolvendo em todas as direções.

2º. Ato – Em muitos setores econômicos vão surgindo bolhas especulativas e apostas em estranhas operações financeiras virtuais. Muitas pessoas são atraídas para os novos produtos financeiros na ilusão de que poderão ficar ricos da noite para o dia. Como um corpo febril a atividade financeira se convulsiona. Impulsionado pelo crédito farto o consumo é incrementado, a especulação eleva os preços das comodities a níveis nunca vistos.

Os ativos passaram a ser avaliados em funçao das projeçoes de um provavel valor futuro, porem as equaçoes economicas nao levaram em consideraçao as limitaçoes do planeta para dar continuidade ao desenfrado consumismo que se implantou. Muitas coisas estao ingressando em processo de mudança, ensejando regeneraçao ou modificaçao radical.

3º. Ato – Com o passar dos semestres, vai se aproximando a hora das realizações dos lucros para aqueles que sabem a hora que antecede ao vindouro estouro da manada na direção da porta estreita da saída.

4º. Ato – No mercado hipotecário dos Estados Unidos surgiram inadimplências. Ao mesmo tempo ia ocorrendo a realização de enormes lucros financeiros obtidos com moedas, juros, ações, e comoditties. Em seguida teve inicio uma crise de crédito que foi se agravando até atingir seu auge com sucessivas quebras de bancos tradicionais. A liquidez sumiu da praça.

5º. Ato – No ato seguinte surge o inevitável: o mercado se defronta com inúmeras operações a descoberto sem fundos para zerar as posições. Instala-se o pânico nas finanças globais.

6º. Ato – No mês de outubro de 2008 a situação se torna caótica. O setor privado deixa a crise rolar. O problema é jogado para o setor público que, para deter o derretimento das finanças nos Estados Unidos e Europa, se vê na obrigação de injetar volumes astronômicos de dinheiro público.

7º. Ato – A situação se agrava instalando-se o pânico no mercado financeiro, no entanto quem dispõe de liquidez e habilidades, encontra incríveis possibilidades de aumentar sua riqueza, pois o dinheiro desapareceu “empossado” nos bolsões de segurança. A crise financeira passa a estender seus tentáculos para a economia real.

A nova crise está provocando o derretimento das finanças e está agravando o processo de deretimento das esperanças das populaçoes, pondo em risco o nível de empregos e provocando o aumento da pobreza.

8º. Ato – As dúvidas gerais são como a crise vai afetar o mundo? Uma inevitável recessão se desenha no cenário. O déficit público tende a se agravar afetando crédito, juros, consumo e empregos. Os preços alucinados voltam a cair, mas a violência urbana poderá sair do controle com o aumento das dificuldades e da miséria. A humanidade ja assistiu a muitas crises e conflitos de interesses econômicos que acabaram se transformando em sangrentas guerras, até que a vontade dos mais fortes prevalecesse definindo os rumos do mundo.


9º. Ato – O grande final

No túnel escuro do mercado financeiro o trem continua desgovernado. Ninguém sabe como será o desfecho da trajetória: Como se comportará o dólar, o euro e as ações? Como a China, a Índia e a Rússia serão afetados? Quais as conseqüências para o meio ambiente? E principalmente, se os povos terão direito à paz e felicidade? Ninguém quer se expor dando prognósticos, mas provavelmente, quando a crise passar, muitos títulos de propriedades terão mudado de mãos. A expectativa é de que no Brasil as lideranças públicas e privadas estejam à altura dos desafios, abandonando os artificialismos, conseguindo estabelecer um equilíbrio sustentável.

O Brasil tem de aproveitar a crise para fortalecer a economia voltando-se para o mercado interno, produzindo e consumindo preferencialmente através da utilização dos recursos disponíveis, reuduzindo a dependência de comércio exterior, até que um novo e mais sadio equilíbrio seja estabelecido entre os países, na economia e finanças. Ademais, o mundo continuará necessitando dos alimentos que podemos produzir, os quais deverão ser produzidos com esmêro e em harmonia com o meio ambiente. Além disso, não podemos continuar ignorando a fundamental importância da educação e preparo das novas gerações, dando-lhes oportunidade para alcançar um melhor futuro como meio de assegurar a paz e o progresso real.
 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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