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TRABALHO INTERNO

Benedicto Ismael C. Dutra
12/03/2011



O documentário de Charles Ferguson expõe como as autoridades permitiram que interesses especulativos gerassem a crise econômica de 2008, o desastre financeiro global, a um custo de mais de $20 trilhões, que provocou a perda das casas e empregos de milhões de pessoas. Por meio de uma pesquisa extensa e inúmeras entrevistas com pessoas bem-informadas do mundo financeiro, políticos e jornalistas, Inside Job traça o crescimento de uma indústria venal e desvenda o relacionamento corrosivo que corromperam representantes do mundo da política, do mundo da justiça e do mundo acadêmico. Ferguson mostra que as autoridades defenderam os próprios interesses e permitiram excessos na especulação. Com desalento ele constata que, também na nação líder, a novas gerações estão recebendo educação de qualidade inferior a que as antecessoras. Narrada por Matt Damon, o documentário foi filmado nos Estados Unidos, Islândia, Inglaterra, França, Cingapura e China.

Ao nos depararmos com a intensa luta pela vida, somos assaltados por sentimentos inexplicáveis. Tem-se a impressão que na Terra não há mais amor nem consideração. Uma enorme pressão paira sobre as cabeças mantendo a atemorização. São muitas pessoas. Muitas bocas para alimentar. São muitas obrigações a serem cumpridas num tempo cada vez mais curto.

Vivemos a tirania dos resultados. Lucro é o que interessa. Custo é pecado. Experimente reclamar de problemas técnicos com sua TV por assinatura, seu speed ou qualquer outro serviço. Vai encontrar a barreira da máquina que consome um tempo enorme com superficialidades até que você possa dizer qual é o problema que o atinge.

As novas gerações  estão sendo compelidas para os ditames das máquinas insensíveis que exigem volumoso investimento, mas engolem custos com mão de obra sem se preocupar com  as dificuldades dos clientes. As novas gerações não estão recebendo as experiências dos mais velhos, o que lhes acarreta aumento da insegurança. A sua habilidade para lidar com as máquinas não é suficiente para que aprendam a raciocinar com clareza.

Não será com o maior adestramento no uso das máquinas ou seu implante nas mentes dos humanos que aumentaremos a eficiência. O fortalecimento humano deve partir de dentro para fora. Nesse sentido o contato com a natureza e o estudo das artes é o que há de melhor, pois aguça e refina sensibilidades que máquina nenhuma será capaz.

Se não atentarmos para a necessidade do refinamento da sensibilidade, corremos o risco de nos transformarmos em pessoas rudes, completamente insensíveis ao sofrimento alheio, dispostas a tudo para vencer e anular o outro, usando de todos os estratagemas para que ele não se sobressaia evidenciando qualidades próprias, que possam nos colocar sob a ameaça de um outro obter o que queremos. No cenário da produção e comercialização de bens e serviços, equilíbrio e serenidade, generosidade e justiça, são valores imprescindíveis para a construção de um ambiente mais humano.

As riquezas são ofertadas pela natureza para o progresso de todos. Misérias e ignorância não deveriam existir, mas tão somente o continuado avanço na melhora da qualidade humana. Agora as turbulências estão interferindo profundamente no comportamento das pessoas que se mantiveram acomodadas por longo período, imobilizadas por uma liderança despótica e manipuladora, sem comprometimento com o progresso da população. É o caso das revoltas na Tunísia, Egito e Líbia. Cansadas de esperar por melhoras, partiram para o confronto, provocando mortes e destruição.

Líderes que agem como máquinas sem coração, que só pensam em si, no seu conforto e sede de poder, no aumento de sua riqueza e na conservação do poder conquistado, sempre acabam provocando revoltas e tragédias. Não existe mágica. Quem conhece o funcionamento das leis naturais da Criação jamais manifestará a esperança pueril em fantasias que nunca poderão se realizar.

Charles Ferguson documenta no filme Trabalho Interno (Inside Job), como o comportamento da elite financeira provocou em 2008, uma crise econômica de proporções globais na qual milhões de pessoas perderam suas casas e empregos, exigindo um gasto de 20 trilhões de dólares. Líderes do mundo financeiro, político e acadêmico não tiveram a postura que a verdadeira liderança requer, iludindo a população descuidada, pensando apenas em si e em seus egoísticos objetivos, gerando muitas incertezas para o futuro da economia mundial.

Para uma mudança de rumos se faz necessária uma mudança de atitudes. Os líderes precisam oferecer uma visão compartilhada de conquista de um futuro melhor para todos, com o esforço de todos, com saúde, educação e continuada melhoria na qualidade de vida da população.
 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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