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TRAGÉDIA DO RIO DE JANEIRO

Benedicto Ismael C. Dutra
13/04/2011



Quando os seres humanos se deixaram levar pela cobiça, pelo desejo de ter mais e mais, lançaram as bases para o adoecimento da sociedade, desumanizando-a, isto é, uma sociedade sem coração, sem vestígios de humanidade. Com o passar dos séculos chegamos ao auge, à sociedade de consumo globalizada com seu pragmatismo, os fins de ganhar justificam todos os meios, mas para isso foi necessário enterrar os valores humanos. O sucesso hoje é dado pelo dinheiro, pelas lutas e competições esportivas arriscadas, pelo elevado salário dos jogadores de futebol e de tantos modelos eleitos como os preferidos do mercado para moldar o comportamento dos consumidores.

Nessa sociedade doente ocorrem os desequilíbrios e surgem os indivíduos revoltados que buscam descarregar sua agressividade sobre os demais, como forma de compensar a decepção de encontrarem um mundo áspero onde não conseguem se firmar na vida. Obcecados se deixam dominar por pensamentos e vontade de vingança, enclausurando o coração.

Existe muita incompreensão sobre o sentido da vida. Essa ignorância deixa os indivíduos arrogantes, sem perceber o quão insignificantes somos na engrenagem universal. As pessoas deveriam pressentir isso e, vendo a importância da vida, deveriam irradiar do íntimo de seu coração, gratidão e contentamento. O ódio, ao contrário, pode levar indivíduos e povos ao descalabro.

Nos anos 1960 a juventude saiu às ruas para dar um grito de revolta contra a situação geral da vida no pós-guerra. Mal se havia saído de uma grande conflagração mundial, e já se ouviam novamente rumores de guerra. Os jovens temiam que o mundo caminhasse para a autodestruição. Como força viva os jovens queriam vislumbrar uma saída para impedir a loucura dos adultos.

Então teve início um processo de ajuste. Cursos mais simplificados. Modismos estapafúrdios nas vestimentas e danças. O avanço da televisão como novo componente do aprendizado. Videogames, inicialmente educativos e para distrair, que logo adentraram pelo campo da violência através de jogos cujo objetivo é matar o maior número possível de inimigos.

Vendo o mundo confuso e caótico, piorando de ano para ano, com a destruição da natureza, as mudanças climáticas num planeta superpovoado e com poucas oportunidades, os jovens caíram numa armadilha. Assim adquiriram uma rebeldia contida que se expressa num comportamento que os impede de abrir os olhos para as coisas mais importantes e maravilhosas da vida. Ficaram bloqueados e travados. Nada ficou tão difícil como mostrar aos jovens a dura realidade que eles pressentem, mas não conseguem visualizar as causas. Conversas e diálogos se tornaram impossíveis, pois antes de ouvirem e analisarem, já estão contra, nem querendo saber do que se trata por considerarem palavras amigas como forma de imposição, pois acreditam que conhecem a vida e não querem continuar sendo enganados.

Os jovens em geral, não aceitam imposição de nenhum tipo. Com uma cultura que cada vez mais enaltece a individualidade, os desejos desenfreados de todo tipo, que diz cada vez mais “faça o que você quer”, “seja você mesmo”, está se criando uma cultura da irresponsabilidade.

Fecharam-se para as boas recomendações, seja através de livros ou artigos. Tudo perde o sentido. Ficam aberta as portas para o vício de fumar, o abuso na ingestão de bebidas alcoólicas, o uso de drogas. Início precoce da atividade sexual e seus efeitos psicológicos. Enfim, um vazio e uma ausência de rumos.

Para alcançarmos melhora nas condições de vida se torna necessária uma mudança na educação. Temos de olhar isso seriamente visando humanizar as novas gerações para que a sociedade se torne mais humana, oferecendo às crianças e jovens a oportunidade de desenvolverem suas capacidades latentes sem submetê-los continuamente a uma atitude passiva e alienada da realidade, que os impede de reconhecer a vida real, com sua beleza, valores qualitativos e possibilidades de atuação consciente. Temos que educar e preparar as novas gerações para uma forma de vida de mais qualidade e não mantê-los alienados.
 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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