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ECONOMIA MONETÁRIA FICTÍCIA

Benedicto Ismael C. Dutra
03/12/2008



No início do século XXI pudemos observar uma das maiores movimentações financeiras da história. Trilhões de dólares correram soltos por meio dos instrumentos monetários virtuais, dando margem a uma economia monetária fictícia que caminhou em paralelo à economia real e, com isso, criou-se um estado febril que foi contaminando mais e mais pessoas sequiosas de enriquecer da noite para o dia.

Lamentavelmente a humanidade herdou uma série de ensinamentos distorcidos que não têm relação com a realidade. Poucos sabem, por exemplo, que todos os ensinamentos de Jesus e de outros mestres espirituais condenam a escravização voluntária à riqueza. Não são contrários à riqueza em si, uma vez que se esta for bem empregada, propicia melhor atendimento às necessidades humanas e promove o progresso geral. No entanto a cobiça, por inúmeras vezes, conduz a atividade econômica para um beco sem saída. E os abusos e excessos invariavelmente culminam em sangrentas guerras.

A febre alastrou-se e a forte movimentação de capitais esquentou os circuitos dos computadores. Dinheiro jorrando, crédito em abundância, consumo em alta. Nos bastidores, as grandes movimentações de compra e venda de moedas e de ações ocorrem em ritmo acelerado. Nos pregões, os corretores gritam desesperados como se estivessem no trânsito congestionado das grandes cidades, onde os motoristas aceleram e buzinam freneticamente numa busca insana para sair do lugar.

A poupança mundial virtual cresceu de forma a superar o volume de ativos no qual pudesse ser aplicada. Algumas pessoas desconfiaram que alguma coisa não estava certa e que a qualquer momento poderia haver uma explosão. Mas os jornais e a televisão enalteciam a exuberância irracional e, com isso, as bolhas especulativas cresceram até se romperem, causando enormes prejuízos e, ao mesmo tempo, uma colossal transferência de riqueza em favor daqueles que souberam a hora certa de pular fora. Agora a incerteza se espalha pelo mundo e amedronta.

O Brasil, ao longo desse período, posicionou-se de maneira bem diferente das anteriores. Apesar do baixo nível educacional e da falta de preparo das novas gerações, foi estruturado um mercado interno vigoroso e diversificado que, no entanto, ficou dependente de importações até porque a política cambial esteve desorientada permitindo uma valorização artificial do Real. Isso prejudicou a produção interna e fomentou atrevidas negociatas no mercado de opções onde se vende o que não se produz, ficando sujeito às instabilidades artificiais.

Agora a situação exige realismo. Basta de falsas ilusões. Os empresários e a população, em geral, precisam saber o que se passa e quais os riscos que estamos enfrentando. Se quisermos realmente fazer do Brasil um país desenvolvido e confiável, temos que buscar o equilíbrio na produção e no consumo, impedindo o parasitismo especulativo que se aninhou no centro da economia financeira como um tumor sugador de energias. A riqueza precisa ser bem empregada para produzir benefícios. Ao contrário, quando comandada pela cobiça de poder, inevitavelmente conduz ao descalabro econômico e social. O mau uso das nossas capacitações nos impulsiona para a destruição. Temos que ter sabedoria para desenvolvê-las de modo que propiciem o fortalecimento da economia e o verdadeiro progresso.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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