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O PODER DA INTUIÇÃO

Benedicto Ismael C. Dutra
03/12/2008



“Não existe nenhum caminho lógico para a descoberta das leis elementares do Universo – o único caminho é o da intuição”. Por mais estranho que possa parecer, esta frase foi dita por Albert Einsten, um homem da ciência, que contrariando a maioria dos seus pares, não defendia apenas a força do raciocínio para solucionar problemas e fazer novas descobertas. Assim como esse famoso e respeitado físico alemão, outros pensadores também se renderam ao poder da intuição, como é o caso da escritora Sharon Franquemont, para quem a intuição é como uma visão ou um perfume, uma percepção que traz informações. Ou como define o escritor Milton Fisher: um insight sem evidência lógica, um saber algo sem se estar cônscio disso, lembrando que o homem primitivo tinha única e exclusivamente seus sentidos e sua mente intuitiva não-verbal para alertá-lo em caso de perigo.

Hoje, observa-se em muitos e variados círculos sociais que está ocorrendo esse movimento interessante: o do resgate da intuição. Muitas pessoas de diferentes gerações estão voltadas a desenvolver o saber intuitivo para resolver problemas profissionais, familiares ou simplesmente para encontrar soluções lucrativas. Na verdade, a intuição tem um alcance muito mais profundo, por ser capaz de auxiliar o ser humano em toda a sua vida e possibilitar a evolução integral. No entanto, lamentavelmente os canais para a recepção da intuição encontram-se obstruídos e a fonte receptora está enfraquecida. Mas, afinal, como podemos definir o que é a intuição e de onde provém?

De acordo com a autora Patrícia Eisten, a intuição pode ser entendida como a capacidade natural que permite perceber muito além dos cinco sentidos e simplesmente da lógica. Esse reservatório espantosamente rico, uma vez aberto, é capaz de conferir uma profunda entrevisão, conhecimento e inspiração, para orientar cada setor da vida.

A questão é que quanto mais os seres humanos passaram a se utilizar das habilidades do raciocínio, mais foram se distanciando da intuição, pois ficaram lisonjeados com a capacidade do cérebro de examinar as evidências concretas. Com isso muitos perderam a capacidade de orientar as próprias vidas. Outros, de certa forma, se envergonham de dizer que alguma vez empregaram o lampejo intuitivo. E ainda há os que não vacilam em ridicularizar aqueles que declaram ter feito uso da intuição.

Mas atualmente, motivadas pelas dificuldades da vida em todos os campos, pessoas mais sensíveis buscam resgatar essa percepção como forma de encontrar orientação para seus problemas, para encontrar o sentido e o objetivo na vida. Mas será que é possível cultivar a intuição? É uma questão de difícil resposta. Isso porque a intuição pode vir num lampejo de inspiração. E, nesse sentido, é aí que o raciocínio deve entrar para planejar a ação e executar a vontade intuitiva.

O intelecto se confronta com a intuição. E se não for mantida uma firme disposição, o raciocínio lógico acaba destruindo o insight intuitivo, minando-o com dúvidas e desconfianças.Para os que estudam esses temas, a informação intuitiva é dirigida para o lado direito do cérebro. Mas ainda não se conseguiu determinar com certeza de onde provém a intuição, como ativar esse mecanismo e qual o papel do cérebro diante disso tudo.

Quando queremos resolver nossos problemas apenas com o uso do raciocínio, logo ficamos desapontados, pois percebemos o quanto ele é limitado. Isso nos deprime e gera revolta. É indispensável que tenhamos serenidade, confiança nas leis da Criação e saibamos esperar. Cada um deve fazer o que pode, depois relaxar e descansar. Assim, a voz da intuição surgirá espontaneamente, trazendo a solução tão almejada para os problemas e dificuldades. Algumas pessoas que não se deixaram dominar de todo pelo intelecto, e que por isso mesmo ainda conservam alguma capacidade intuitiva, por vezes vislumbram idéias com tanta clareza que ao falarem demonstram tamanha firmeza e convicção que para muitos se afigura como ousadia ou impertinência, porque as suas palavras são tão penetrantes que extravasam qualquer limitação, indo direto ao âmago do problema sem maiores rodeios ou delongas. Isso não é astúcia intelectiva ou simples agilidade mental. É muito mais. É produto da intuição.

A intuição atua como ponte de ligação entre a experiência inconsciente contida na alma e a parte racional do cérebro. Ela também traz insights importantes como forma de avisos e advertências. Cada vez que a intuição nos fala, forma imediatamente uma imagem no nosso cérebro. Nesse processo de formação de imagem, participa o cerebelo, que deve ser a ponte da alma para domínio do corpo. É aquela parte do cérebro que nos transmite o sonho. Essa parte se acha, por sua vez, ligada a outra parte do cérebro, de cuja atividade se originam os pensamentos e o raciocínio.

Frequentemente faz-se uma confusão entre intuição, fantasia, devaneios, ou idéias que se fixam no cérebro. Mas é importante fazer a correta distinção, pois a fantasia, por ser um produto do pensamento, pode criar imagens muito perturbadoras, capazes de abalar a serenidade, provocando inquietação. Já as imagens que são criadas pela intuição, trazem as respostas para as mais variadas questões.

Dentro dessa lógica, como é possível fortalecer a intuição, que muitas vezes é debilitada pela atividade unilateral do cérebro? Através da meditação e do exame atento dos nossos pensamentos, palavras e ações. Esse já é um começo. Se isso for feito em contacto com a natureza, então, aos poucos o eu interior irá se fortalecer, fazendo um contra-ponto de equilíbrio com a parte racional do cérebro .

Somente quando os seres humanos readquirirem o natural equilíbrio entre a atividade do cerebelo e do raciocínio é que estarão aptos a cumprir o seu real papel: se tornarem beneficiadores da Criação e transmissores de luz para todos os seres.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
Comentários:


Simone Dutra (simoned22@uol.com.br) comentou em 25/04/2009 - 00:04:26

A Intuiçao :
Depende de cada um como é para cada pessoa.
alguns possuem mais, outros estao desenvolvendo. Há quem ja perdeu a sua, ou fez mal uso dela e ficou sem.
A Intuiçao, é preciosa, aparece em fraçoes de segundos, apenas . Precisa estar atento a ouvi-la quando ela vem com uma mensagem importante.
Há muita maldade na humanidade, muita transformaçao..Estive relendo Atlantida de Roselis von Sass , o livro tem imenso conteúdo que revela a situaçao e transformaçao atual desse mundo que vivemos.
Não basta apenas olhar com os olhos de materia, hoje nesse emaranhado de fios, aquele que nao tiver olhando tbem com seus olhos espirituais estará a deriva. Mas acredito que esse tempo de sombras e maldade chegará a um fim, dando o lugar a Era de um sol dourado.
Agradeço a oportunidade de enviar esse comentario.


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