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BANCO CENTRAL SURPREENDE

Benedicto Ismael C. Dutra
02/09/2011



Alguma coisa está errada quando o preço da banana é duas vezes mais alto no Brasil que nos EUA

O Banco Central surpreendeu o mercado ao decidir reduzir, pela primeira vez desde julho de 2009, a taxa básica de juros, a Selic, de 12,5% ao ano para 12% ao ano. A medida está provocando um acirrado debate sobre a oportunidade e o acerto da decisão.

De um lado, a corrente preocupada com o controle da inflação, mesmo que isso acarrete um ônus que se abate sobre toda a população com a utilização de bilhões de reais para servir aos encargos dos juros campeões. De outro se posicionam os defensores de uma política de juros mais próxima à praticada nos países desenvolvidos, reduzindo o grande diferencial.

Tornou-se um princípio a utilização da taxa de juros como meio de controlar a inflação. Juros baixos favorecem o consumo estimulando a economia. Os Estados Unidos sempre ofereceram juros baixos aos consumidores americanos. Com juros baixos o dinheiro se afasta do mercado financeiro, buscando investimentos com melhor retorno. Com a elevação dos juros se pretende inibir o consumo e investimentos, desacelerando a economia. No entanto, isso implica na atração dos capitais internos e externos e em uma elevação do custo da dívida para o país frágil em poupança.

Para o professor Antonio Côrrea de Lacerda – Terra Magazine – o custo de financiamento da dívida pública atingiu, nos últimos doze meses acumulados, o montante de R$ 224,8 bilhões, 5,7% do PIB… O setor público brasileiro paga de juros, proporcionalmente ao produto, cerca de duas vezes a média dos demais países. A redução das taxas de juros tornou-se um imperativo, especialmente diante do agravamento da situação de grande parte da economia internacional… Diante do quadro de taxas de juros reais muito baixas, até negativas nos países centrais, precisamos diminuir a enorme distância que nos separa deles neste quesito. Mesmo porque, se não o fizermos continuaremos a ser alvo da especulação com operações de arbitragem.

Ora, com juros nesse patamar, não há muito que procrastinar a sua redução, devendo-se paralelamente incentivar investimentos na produção para que o consumo possa ser atendido. Mas aí esbarramos num outro problema, o câmbio. Para José Roberto Toledo – Blog Estadão – juros altos ou baixos, alguma coisa está errada quando o preço da banana é duas vezes mais alto no Brasil que nos EUA. Por mais “bananeiras” que pareçam as rusgas entre Barack Obama e os republicanos no Congresso, nada justifica ser teoricamente possível o Brasil comprar bananas “norte-americanas” com vantagem. Já basta ter que importar etanol.

Nos cinco séculos de sua existência, o Brasil serviu como base de ganhos para potências estrangeiras. Não havia como preservar a natureza e nossos interesses. Uma floresta inteira de pau-brasil foi destruída. Enfim, a hora é de pensarmos em melhorar o futuro para todos nós que aqui vivemos, pois se não fizermos isso, quem fará?

O governo precisa coibir os sorvedouros de recursos sugados pela corrupção e inépcia de maus administradores, e permitir que os empresários possam trabalhar com seriedade. Os empresários precisam confiar que, com seus esforços em produzir com qualidade, terão oportunidades de ganho compensador ao colocarem seus produtos. Os consumidores precisam usar de parcimônia inibindo o consumo de supérfluos. Os trabalhadores precisam se dedicar com afinco ao seu trabalho, confiantes em uma remuneração condigna. Pais e mães precisam orientar seus filhos com responsabilidade para que, ao chegarem à escola, estejam capacitados para aprender com professores competentes e empenhados no desenvolvimento dos alunos.

Que a redução dos juros seja o primeiro passo de uma nova visão compartilhada por todos que aqui vivem empenhados na construção de um mundo melhor.




Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
Comentários:


Fernando Ribeiro comentou em 03/09/2011 - 09:09:27

O caminho é este mesmo defendido pelo articulista. O inimigo para que essa farra dos mais ricos do mundo inteiro continuem a concentrar e aumentando a maior parte do capital mundial em suas mãos é poderozissimo. A bolsa de valores no mumdo inteiroprecisa de regras para impedir as especulacões e os derivativos precisa ser normatizada.

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