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MOEDAS EM CRISE

Benedicto Ismael C. Dutra
20/11/2011



Vivemos no curto prazo, no hoje, sem planejar o amanhã. Devemos buscar soluções sem ficar incentivando uma guerra entre as classes sociais.

O dinamismo dos negócios levou os humanos ao invento do dinheiro que, ao longo dos séculos, foi tendo sua forma de utilização aprimorada para melhor desenvolver a produção e a circulação de bens. É lamentável, mas não demorou muito para que os astutos buscassem fórmulas de tirar proveito e obter ganhos através de manobras especulativas.

No seu afã de dominar passaram a buscar vantagens, seja comprando abaixo do valor, cobrando juros extorsivos ou se aproveitando do câmbio para o aumento das exportações.  O objetivo de produzir para exportar e fazer reservas em moedas fortes, sempre teve como maior entrave a valorização da própria moeda, o que tem dado margem a manobras que possibilitam uma concorrência predatória, por colocar no mercado interno dos países mercadorias produzidas externamente que entram com preços inferiores aos custos de produção, provocando um retrocesso na industrialização. Aproveitando-se da situação, ainda levam os produtos primários para agregar valor lá fora.

Na convenção de Breton Woods, realizada após a 2ª Grande Guerra, foi estabelecida uma equivalência entre o dólar e o ouro que permaneceu valendo até o ano de 1971. No entanto, ainda não fomos capazes de estabelecer um padrão de convivência para a diversidade de moedas e assim temos vivido de crise em crise.

A chamada crise europeia é muito mais do que isso. É uma crise global decorrente da falta de consideração à lei natural do equilíbrio que visa à conquista da prosperidade e da paz. É de longa data a perda do senso de equilíbrio pelos humanos que cobiçam receber o máximo retribuindo com o mínimo ou nada, se possível. Os governantes devem ser os primeiros na busca do equilíbrio nas relações entre as Nações, que não pode ser alcançado sem que haja garantias que assegurem o direito à propriedade. Um planejamento responsável exige dos governos compenetrados de suas responsabilidades o equilíbrio nas contas públicas, internas e externas.

O economista Adolfo Wagner observou que os gastos dos governos crescem mais do que o crescimento da produção interna. O lamentável dos constantes desequilíbrios nas contas é que acarretam déficits cuja cobertura depende de financiamentos no mercado financeiro, gerando as chamadas dívidas soberanas transferidas de governo para governo, de uma geração para outra.

Além disso, os governantes devem assegurar adequado ordenamento cambial e o planejamento, em conjunto com os empreendedores, dos itens apropriados para o comércio exterior – o que importar e o que exportar – sem que isso provoque desequilíbrio na produção e empregos internos, principalmente agora quando a população mundial ultrapassou a marca dos 7 bilhões.

Temos tantas reuniões do G-7, do G-20, Fórum Econômico, Reunião dos Bancos Centrais, mas ainda estamos longe de encontrar o equilíbrio, pois as condições dos relacionamentos comerciais e financeiros só têm feito se agravar. Tem sido norma nos acordos a prepotência que quer deixar o oponente de joelhos, tirando o máximo de vantagens de sua fragilidade.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christina Lagarde, disse em 9 de novembro, em Pequim, que a Ásia também poderia sofrer com a crise econômica europeia. A chefe do FMI aconselha a China a valorizar sua moeda e alerta para o risco de espiral de instabilidade financeira mundial.

Vivemos no curto prazo, no hoje, sem planejar o amanhã. Devemos buscar soluções sem ficar incentivando uma guerra entre as classes sociais. Temos de desenvolver propósitos de longo alcance, visando o autoaprimoramento, oferecendo às novas gerações oportunidades para uma vida significativa de realizações e aprendizado, cultivando a serenidade e a alegria de viver. A nobreza de alma e as causas nobres estão sendo relegadas aos contos de fadas.

Parodiando a chanceler alemã Angela Merkel, poderíamos dizer que é tempo de um salto para a construção de um “mundo” mais harmônico e em equilíbrio. Temos de estar preparados para superar os obstáculos criados pela ânsia de domínio. Os líderes governamentais precisam por em ação as suas qualidades humanas para buscarmos a construção de um mundo mais humano, com paz e prosperidade.




Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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