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PODER E SUBMISSÃO

Benedicto Ismael C. Dutra
20/12/2011



Com o desejo de comandar as ações surgiu o conceito de que o poder decorre da possibilidade de alguém impor a sua vontade sobre o comportamento de outras pessoas. Ao longo dos séculos esse conceito vem sendo modelado até assumir os contornos modernos. Partindo da força bruta até os refinados mecanismos de persuasão velada conduzindo as massas para os propósitos visados pelos mandatários.

Há séculos a educação das novas gerações tem sido utilizada para condicionar a submissão. Tendo sido utilizado pela religião, o condicionamento educacional foi absorvido pelo sistema econômico e social, sendo os assim educados levados a aceitar o sentido da vida conforme imposto pelas necessidades e conveniências do sistema, enquanto no ensino religioso o objetivo é desenvolver nas crianças a aceitação da autoridade religiosa e seus postulados.

A riqueza patrimonial criou em seus detentores a ideia de que os menos afortunados não têm o direito de questionar, perpetuando os sistemas perversos que forçam a concentração da riqueza em poucas mãos.

Atualmente, a organização, entendida como a reunião de pessoas ou grupos visando à realização de seu objetivo, se tornou a grande fonte do poder. A organização possui poder e os seus membros e dirigentes sentem que são detentores de uma fração desse poder, reagindo fortemente quando se sentem ameaçados de terem de dividir poder, fazendo tudo para conservar e consolidar a sua posição. Quem está dentro não quer sair e quem está fora encontra todas as resistências para entrar. É notória a sensação de vazio que muitos profissionais ou políticos tiveram ao perder seu posto. Perceberam que eram considerados apenas devido à posição que ocupavam na organização da qual faziam parte.

As organizações que mais se fortaleceram e que passaram a operar em escala mundial se tornaram aptas a ditar normas em todos os setores da vida. Para isso estão capacitadas a influenciar o governo e exercer amplo poder persuasivo sobre as massas, ditando conceitos e a submissão desejada. O Estado é o garantidor do dinheiro, por isso, é tão necessário, mas o poder real está nas mãos dos donos do dinheiro. Um dos fatores da instabilidade na zona do euro: são vários países com moeda compartilhada sem poder sobre ela.

Para a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI) não existem dúvidas: se a crise econômica não for combatida a uma escala global existe o risco real do mundo entrar numa crise econômica semelhante à dos anos 30, e o que ocorreu não é algo que estamos buscando. A diretora lançou um claro aviso sobre as consequências do aumento da crise: "Não existe economia no mundo, sejam países de baixos rendimentos, mercados emergentes, países com rendimentos médios ou economias super avançadas que estejam imunes à crise, que não está somente a desenvolver-se como a aumentar". A parte mais assustadora do discurso, feito no Departamento de Estado norte-americano, em Washington, foi quando Lagarde avisou sobre as consequências de falhar em resolver a crise, o que pode levar ao "protecionismo, isolamento e outros elementos reminiscentes da Depressão dos anos 30", segundo o The Guardian. (Veja artigo)

O ano de 2012 inicia com tendências para o aumento das turbulências econômicas e sociais. Espírito de conciliação e equidade será de grande valia para manter a serenidade e a busca de soluções inovadoras, pois não há quem não tenha contribuído de alguma forma para a geração da crise da humanidade e o atual descalabro. O Rio de Janeiro foi palco de mais uma explosão dos usuários de trens, descontentes com tratamento recebido. Os problemas deixaram os passageiros revoltados e houve tumulto. (Veja a matéria)

Mais forte ainda do que a influência dos educadores, surgiu a televisão com enorme potencial de recursos e poder de persuasão, se transformando na grande babá eletrônica que faz a cabeça das novas gerações. Pesquisando o que a população deseja ver e ouvir, a TV se utiliza disso para exercer a sua persuasão.

Para alcançarmos a mudança qualitativa já desejada por muitas pessoas, temos de desenvolver uma educação mais abrangente sobre o sentido da vida, e a necessidade de cada ser humano dar a sua contribuição para a melhora geral através de seus pensamentos, palavras e ações. Isso não deve ser um condicionamento, nem uma cega submissão, mas a natural aceitação dessa realidade essencial como base para que a civilização humana possa conquistar a paz e a prosperidade, com educação e oportunidades para todos que se esforçarem.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
Comentários:


vanessa pasquini de rose ghilardi (nexo72@hotmail.com) comentou em 21/12/2011 - 08:12:43

Ola Dutra,

gostei muito de seu artigo, e acho que sim, nunca ser submisso (a não ser quando racionalmente se decide por isso) é um predicado do bem viver.

apaixonei-me pelo livreto do João Ubaldo chamado Dez Bons Conselhos de meu Pai, onde o conselho nº 1 é não seja tutelado, e o nº 5 é não seja submisso! Dê uma olhadinha no texto quando passar em uma livraria.

abcs, Vanessa


Luis Carlos de Morais (luis_morais@ig.com.br) comentou em 22/12/2011 - 07:12:10

Olá Sr. Ismael!
Entendo que os países da zona do euro abdicaram de seu estatus de nação livre para se tornaren estados membros de uma união européia, sem uma moeda local, que refletia parte de suas tradições e portanto, valores nacionais.
Passaram a ser tutelados pelas nações mais ricas do bloco e também pelo FMI. Um exemplo típico é a Grécia.
Os grandes financistas não abrem mão do lucro em detrimento do bem estar das populações, como consequência o mundo se tornou refém do cáustico poder do dinheiro.
Um abraço.
Luis Morais


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