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EDUCAÇÃO, UM PROBLEMA DE GERAÇÕES

Benedicto Ismael C. Dutra
23/01/2012



Num mundo de falsidades onde as pessoas escondem seus sentimentos egoísticos, ocultando-os com palavras enganadoras que encobrem a verdade, o "como educar" as novas gerações se torna um grande dilema.

Uma informação que chama a nossa atenção no Enem 2011 foi a devolução, por 51 mil alunos, da prova de redação em branco, isto é, não escreveram nenhuma frase. Outras mais de 130 mil redações dos alunos foram desclassificadas por alguma impropriedade gritante. A dificuldade para escrever um simples relato atinge boa parte dos estudantes. Isso indica que a escola não cumpriu a sua missão de dar ao aluno um preparo mínimo para a redação de um texto, mas também que os alunos se encontram num estágio mental de baixo nível, o que pode ser atribuído a um grave descuido dos pais.

Com certeza, o descaso na educação e no preparo das novas gerações não é de hoje. Vem de um passado distante, sempre que os pais não dispunham de tempo para se dedicarem aos filhos adequadamente e necessitavam que os mesmos entrassem logo na atividade produtiva para ajudar a família a enfrentar a luta pela sobrevivência. As pessoas aprendiam a trabalhar com seus pais. Minorias mais esclarecidas se esforçavam em retardar o ingresso dos filhos no mercado de trabalho para que pudessem adquirir boa formação educacional. Ao mesmo tempo davam ao livro um lugar de destaque no lar, onde sempre havia uma estante com vários exemplares.

Com as mudanças na economia e na produção, as novas gerações passaram a necessitar da alfabetização e aprender a raciocinar com lucidez para adquirir habilidades profissionais. Isso foi em muitos casos obtido com a prática da leitura, hábito que ficou perdido ao longo do tempo no afã de manter a mente distraída com qualquer bugiganga emburrecedora mostrada na TV ou com os jogos eletrônicos.

Jovens despreparados acabaram se tornando pais e mães sem que antes tivessem obtido a necessária experiência para dar aos filhos gerados uma boa base para a educação. Com uma escola de baixo nível fritou-se a omelete da ignorância, temperada com o emburrecimento e maus exemplos produzidos pelos filmes e pela TV. Agora todos correm atrás do prejuízo, pois a vida que poderia ser maravilhosa explode num vale de lágrimas: em 90 % das cidades brasileiras consome-se crack, um veneno que está se espalhando e fazendo novas vítimas a cada dia. Com a população mais jovem fragilizada pela deficiente educação e pela expansão no uso das drogas, o Brasil, o país do futuro, tem seu futuro comprometido sem que sejam planejadas ações mais adequadas, como tem sido feito nos países desenvolvidos e administrados com responsabilidade.

A educação tem sido um tabu intocável. Nas colônias os dominadores não viam com bons olhos a boa formação educacional de seus colonos. As correntes dominantes impõem seus pressupostos às novas gerações para manter o domínio e a submissão. Atualmente, enfrentamos a rigidez dos currículos escolares e a pobreza do material didático disponibilizado.

Num mundo de falsidades onde as pessoas escondem seus sentimentos egoísticos, ocultando-os com palavras enganadoras que encobrem a verdade, o "como educar" as novas gerações se torna um grande dilema. Temos de considerar o ser humano como uma totalidade  para o qual não é suficiente apenas o aprendizado profissional. Necessitamos da Luz da Verdade. As novas gerações necessitam estar aptas a pesquisar o sentido da vida e perceber que nossa tarefa é cooperar para o desenvolvimento progressivo que produza alegria e paz para todas as criaturas. Uma educação que não conduzir a isso não pode ser qualificada como educação.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
Comentários:


Nelson Lan. Tavares (nlantav@gmail.com) comentou em 23/01/2012 - 15:01:12

Parabéns Benedicto,
Você toca em algo que diz respeito a todos os seres humanos certos ou errados e com ou sem qualidades aprendi-das. A BOA EDUCAÇÃO se faz pela porta de entrada do Processo Humano, para que haja uma saída de qualidade através do Processo Humano.Sem isto os erros apare-cerão em grande quantidade afetando as pessoas, a sociedade e a humanidade.O mundo e os seres serão vítimas dos própios erros.Eis uma questão para ser enriquecida com a análise da qualidade do processo humano.A qualidade é alinha-da com a luz da verdade que desce pela linha do centro perfeito universal.
Nelson


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