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MERCADO INTERNO

Benedicto Ismael C. Dutra
02/03/2012



Enquanto a economia tende à estagnação, as elevadas dívidas soberanas de muitos países permanecem aumentando, superando várias vezes os respectivos PIBS. Por outro lado, a produção de dinheiro também. O que poderá ocorrer na economia global com essas variáveis em expansão, mormente com o afrouxamento ou relaxamento monetário, cujo significado representa elevada emissão de dinheiro?

Um grande trunfo da economia brasileira é a pujança de seu mercado interno.

Referindo-se aos problemas que estão ocorrendo na economia dos EUA e da Europa, o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setúbal disse: “não vejo o Brasil sendo muito afetado por tudo isso. Somos uma economia muito mais movida pelo mercado interno e acho que as condições do Brasil estão boas”.

Contudo, não podemos permitir que a firmeza do mercado interno seja descuidada, pois a sua conservação e a sua expansão dependem de muitos fatores que devem funcionar harmonicamente: educação, câmbio, capacidade de utilizar os recursos naturais com eficiência e sabedoria, equilíbrio nas contas internas e externas, equidade na distribuição da renda.

Em seus livros sobre a formação econômica do Brasil, o economista Celso Furtado estudou em profundidade os mecanismos da formação econômica do Brasil, cujo mercado interno padecia de falta de sustentação, pois tudo dependia dos estímulos externos, uma economia utilizadora de mão de obra intensiva de baixo poder aquisitivo, voltada para o mercado externa que involuía para uma economia de subsistência sempre que a demanda externa decaía.

Lentamente, o mercado interno foi se formando. O baixo poder aquisitivo desenvolveu uma demanda reprimida que aos poucos foi se fortalecendo. Atualmente, nesta fase de retração, o nosso mercado interno está sendo fortemente cobiçado pelas potências industriais. No entanto, a agressiva competição econômica externa pode se constituir numa séria ameaça para a conservação e ampliação dos empregos.

Aqui não estamos falando da volta de um protecionismo que garantia ao fabricante local um percentual de margens de lucro inexistentes em outros países, mesmo para produtos de segunda, feitos sem muito esmero. A entrada dos importados veio a contrabalançar essa situação desequilibrada, mas na economia atual, os interesses da população nem sempre coincidem com os interesses das produções globalizadas, voltadas para a maximização dos próprios resultados, independentemente das necessidades dos povos que vivem em diferentes fronteiras.

Urge que o governo esteja atento, desenvolvendo planos que impeçam que fiquemos permanentemente subordinados aos interesses externos. As poderosas organizações que operam em escala global exercem uma forte influência sobre as decisões. O Brasil dispõe de recursos naturais requisitados para a indústria de transformação e possibilidades enormes na agropecuária, mas a industrialização corre o risco de ficar estagnada e regredir. Muito do aquecimento da procura está associado ao aumento do crédito ao consumidor, mesmo caríssimo. Novamente incorreremos no risco da involução, pois só com serviços, o mercado interno não terá a necessária sustentabilidade, pois com o aumento das importações ficamos sujeitos ao aumento do déficit na conta corrente do balanço de pagamentos, o que significa ter de submeter-se às condições mais duras impostas pelos capitais especulativos para seu financiamento.

De fato, as grandes corporações acabaram se tornando mais fortes do que os Estados, muitas vezes geridos levianamente pelos eleitos. Uma nova fase de qualidade de vida poderá surgir com uma nova visão, através da qual as grandes empresas passem a considerar seriamente os aspectos até agora descuidados dos custos sociais e ambientais e o aprimoramento da qualidade humana.

O agravamento da pobreza está ligado ao unilateralismo obsessivo dos humanos no acúmulo de dinheiro e poder, mas isso nem sempre foi assim, veio surgindo com o aumento da indolência espiritual, ou seja, o enfraquecimento do eu interior e a perda do bom senso. Assim, chegamos à pobreza moderna, pelo aumento das necessidades supérfluas em confronto com as dificuldades para satisfazê-las. Como tudo é progressivo, o agravamento da indolência espiritual tende a gerar a miséria cujas vítimas se vão incapacitando para o enfrentamento das exigências da vida moderna, tendendo para a miséria moral e material, culminando no aviltamento da espécie humana.

Há que surgir uma transformação no espírito humano para a realização de um equilíbrio saudável que vibra nas leis da Criação.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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