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O JOVEM DO SÉCULO 21

Benedicto Ismael C. Dutra
09/03/2012



A busca por respostas está incrustada na essência humana, mas em muitas pessoas isso pode estar adormecido sob o efeito de um continuado bombardeio de estímulos externos para manter os olhos fechados, e a ânsia por saber entorpecida.

Diz uma frase célebre atribuída a Oscar Niemeyer: Toda escola superior deveria oferecer aulas de filosofia e história. Assim fugiríamos da figura do especialista e ganharíamos profissionais capacitados a conversar sobre a vida. Eu só acrescentaria o seguinte: E toda escola destinada à educação infantil deveria  mostrar as belezas e o funcionamento da natureza para as crianças, para que percebam que também fazem parte da natureza, amando-a e respeitando-a, buscando significados.

Estamos diante de uma situação bem diferente do século passado quando muitos jovens tinham um forte anseio de saber o porquê das coisas. Atualmente nos defrontamos com a apatia de muitos jovens que, influenciados pelos apelos da vida moderna, nada querem saber do sentido da vida, levando uma vida superficial,  atravessando seus dias sem um olhar atento ao seu redor.

‎Falando para a revista Veja, Rosalins Wiseman, escritora especialista em bullying, disse que é entusiasta da internet, mas acha que, se não for bem usada, pode incentivar o vazio intelectual mais do que criar gente curiosa e pronta para refletir sobre o mundo em que vivemos.

A busca por respostas está incrustada na essência humana, mas em muitas pessoas isso pode estar adormecido sob o efeito de um continuado bombardeio de estímulos externos para manter os olhos fechados, e a ânsia por saber entorpecida. Há quem considere que a maioria dos seres humanos esteja adormecida, atormentada pelo sentimento de medo, de forma consciente ou não, sem ter despertado a sua verdadeira essência humana. Não conseguem elevar o olhar, buscando compensação na sexualidade irresponsável e nas drogas.

Grande parcela das novas gerações age com o chamado “espírito do século 21”, que diante de tantos problemas globais de difícil solução, não quer se preocupar com os porquês, desejando se entregar ao momento. Considera o futuro desconhecido e incerto ao perceber que ninguém consegue entender a complexa situação de nosso  mundo canibal, nem encontrar soluções efetivas. Os jovens que se ocupam com o sentido da vida, não raro, são considerados como dotados de comportamento estranho por seus colegas.

Com desconfiança de tudo e de todos muitos jovens tornam-se extremamente individualistas, cada um para si, liberando inveja e cobiça, o que os coloca em permanente estado de competitividade, preocupados principalmente em aproveitar o que a vida oferece de prazeroso. A energia que sempre permanece à disposição dos seres humanos não é aproveitada por grande parcela das novas gerações, deixando de ser canalizada para atividades nobres, beneficiadoras, e se perde inaproveitada, sendo arrastada para caminhos impuros, cujas consequências prejudicam a vida em todo o Planeta.
 
As escolas permanecem fora de sua missão ao dar prioridade para atividades menores ligadas ao imediatismo de acumular bens e dinheiro. No entanto, o dinheiro e os bens não devem ser menosprezados, merecendo atenção e cuidados. O perigo é acorrentar-se às posses como prioridade máxima da vida. A meta principal das escolas deveria ser o preparo dos seres humanos para um viver condigno com a nossa espécie, beneficiando e embelezando tudo a nossa volta.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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